TELMÁRIO MOTA

Por estupro, juiz ordena mandado de prisão a ex-senador, já preso em Goiás por assassinato

Defesa de Telmário Mota afirmou que a decisão foi "absurda", "ilegal" e "desproporcional". Político negou envolvimento com os dois crimes

O ex-senador Telmário Mota em audiência de custódia por videoconferência, em Goiás (Foto: Reprodução)
O ex-senador Telmário Mota em audiência de custódia por videoconferência, em Goiás (Foto: Reprodução)

O juiz estadual Thiago Russi Rodrigues, da Vara de Crimes contra Vulneráveis, determinou a prisão preventiva do ex-senador Telmário Mota por suposto estupro contra a filha, ainda adolescente, às vésperas da eleição de 2022. O político está preso em Goiânia pela suspeita de mandar matar a mãe dela, Antônia Araújo de Sousa, de 52 anos, três dias antes de a vítima depor nessa mesma investigação. Ele já negou o envolvimento com os dois crimes.

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No mandado de 14 de novembro, o magistrado determina a prisão e o recolhimento do ex-senador a qualquer unidade prisional, e justifica a ordem “para assegurar a aplicação da lei penal e tutelar a ordem pública”.

Procurado, o advogado de Telmário Mota, Bruno Braga, afirmou que a decisão foi “absurda”, “ilegal” e “desproporcional”, e disse tomar “medidas jurídicas cabíveis” para questioná-la. “O juiz justificou o mandado de prisão alegando que o ex-senador teria entrado em contato com parentes da filha no dia do velório da Sra. Antônia”, disse, enfatizando que, na verdade, o irmão da filha de Telmário, por meio da proprietária da funerária, teria entrado em contato com o ex-senador pedindo ajuda para o funeral.

“Telmário não entrou em contato com ele. Passou para outra pessoa intermediar a ajuda financeira sendo que, posteriormente, o rapaz mandou um áudio agradecendo. Apenas isso”, completou o advogado.

Além de Telmário Mota, a Polícia Civil apontou outros três suspeitos de envolvimento com o assassinato da mãe da filha dele: Ney Mentira, sobrinho do ex-senador preso por supostamente planejar o crime; Leandro Luz da Conceição, preso acusado de efetuar o disparo que matou Antônia; e Cleidiane Gomes da Costa, assessora do político que usa tornozeleira eletrônica como uma das medidas cautelares pela acusação de ajudar a monitorar a vítima.

Transferência para Roraima pendente

Em 9 de novembro, a juíza estadual Lana Leitão Martins, da 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri e da Justiça Militar, determinou a transferência de Telmário Mota para Roraima. Mas o recambiamento ainda não foi realizado.

Na segunda, a Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc) explicou que aguarda a autorização da Vara de Execuções Penais da Justiça de Roraima para providenciar o processo de transferência. Naquele mesmo dia, Justiça estadual afirmou que ainda não havia registro de processo distribuído em nome de Telmário Mota no Sistema de Execução Penal da comarca de Boa Vista.