CAÇADA REAL

Justiça autoriza recambiamento de Telmário Mota para Roraima

Ex-senador está preso em Goiás suspeito de ser o mandante da execução de Antonia Araújo Sousa, de 52 anos

Telmário Mota em discurso no Senado Federal (Foto: Divulgação)
Telmário Mota em discurso no Senado Federal (Foto: Divulgação)
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A Justiça autorizou na manhã desta quinta-feira, dia 9, o recambiamento de Goiás para Roraima, do ex-senador Telmário Mota. Para a PCRR (Polícia Civil de Roraima) mais uma fase da investigação que visa esclarecer a execução de Antonia Araújo Sousa, de 52 anos, ocorrido no dia 29 de setembro deste ano, no bairro Senador Hélio Campos, foi concluída.

De acordo com a Polícia Civil de Roraima, o delegado João Evangelista informou que estão sendo realizadas as tratativas administrativas para proceder o recambiamento.

No início da noite de ontem, dia 08, a última pessoa que faltava ser presa, H.N.C.M, conhecido como “Ney Mentira”, decidiu se entregar à Polícia. Em interrogatório ao delegado da DGH (Delegacia Geral de Homicídios), João Evangelista, o investigado negou ter participado o crime.

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Após várias diligências efetuadas pela Polícia Civil de Roraima, o cerco para localizar o foragido se fechou e ele decidiu se apresentar na sede do DRACO (Distrito de Repressão As Ações Criminosas Organizadas), acompanhado de seu advogado.

O interrogatório durou três horas e, ao final, o advogado do investigado informou que seu cliente manifestou interesse em falar com a imprensa, o que ocorreu na saída da unidade Policial, quando estava sendo levado para exame de integridade física no IML (Instituto de Medicina Legal). Na manhã de hoje, dia 09, ele foi apresentado na Audiência de Custódia.

“Eu estava no mato intocado. Não tinha advogado e o meu pai foi quem disse que me ajudaria, porque eu não devo nada neste crime. A motocicleta, eu comprei da Cleidiane e entreguei para ela. Ela me deu 4 mil reais e ganhei 500 de comissão. O dinheiro era dela. Eu estava com medo, um monte de acusação contra mim, de que planejei crime. Eu não devo nada disso, já fiz coisas erradas, mas já paguei na Justiça. Não passei arma para a Cleidiane e nem tive contato com o ex-senador”, disse.

O delegado João Evangelista, disse que concluiu essa fase da investigação, marcada por uma série de diligências, inclusive fora do Estado, com auxílio de outra forças policiais.

“Finalizamos a primeira etapa da operação, com a prisão de H. N., que se apresentou. É uma investigação complexa, que demanda tempo para ser concluída. Existe uma circunstância do dia do fato, outras relacionadas aos dias anteriores ao fato. Precisamos pormenorizar, aprofundar, para saber exatamente quem está envolvido e o que cada um fez. Cada peça que vamos juntando agora, vamos criando informações que serão interessantes para a Justiça”, disse.

Quanto aos projéteis apreendidos na Fazenda Caçada Real, o delegado disse que são objetos de análises periciais no ICPDA (Instituto de Criminalística Perito Dimas Almeida) e que estão sendo aguardados os laudos que serão confrontados com outras informações levantadas na investigação.

“Estamos numa fase de aprofundamento de informações das investigações. Por outro lado, temos vários elementos apontando as circunstâncias do crime. As pessoas relacionadas ao crime nesse momento, com as informações que já temos no inquérito, apontam serem pessoas ligadas ao ex-senador. Onde a logística necessária para o crime foi desencadeada por eles, a orquestração, o planejamento do crime, foi apreciado por eles. Estamos agora em um momento de verificar quem fez o quê, como foi realizado esse planejamento e apreciar a conduta de cada um. Ainda estamos na fase de oitivas, de interrogatórios e prefiro evitar comentários sobre, inclusive as informações prestadas pelo Nei, mas estamos evoluindo”, disse.

CAÇADA REAL – O nome da Operação remete ao nome da fazenda do ex-senador.

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