IGUALDADE DE GÊNERO

Encontro debate combate ao machismo e assédio a mulheres militares nas corporações

O evento, sediado pela Assembleia Legislativa de Roraima, também tratou de diversos pontos relevantes para as categorias e expansão da carreira

Coronel Camila Paiva, primeira oficial feminina do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas, foi a ministrante da palestra principal. (Foto: reprodução/Nonato Sousa/ALE-RR)
Coronel Camila Paiva, primeira oficial feminina do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas, foi a ministrante da palestra principal. (Foto: reprodução/Nonato Sousa/ALE-RR)

O combate ao machismo e assédio a mulheres militares nas corporações foi tema de debate do último dia do XV Encontro Nacional de Entidades Representativas de Praças (Enerp), nesta sexta-feira (12). O evento, sediado pela Assembleia Legislativa (ALE-RR), também tratou de diversos pontos relevantes para as categorias e expansão da carreira.

A palestra “Os impactos da desigualdade de gênero no acesso e desempenho da carreira militar” foi o tema central da primeira parte do evento. Conforme a ministrante, coronel Camila Paiva, primeira oficial feminina do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas, o momento teve o intuito de refletir o assunto que, até pouco tempo, não era discutido dentro das instituições militares.

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Segundo Camila, o fato de o número de mulheres dentro desses órgãos ainda ser visivelmente menor é reflexo de falta de oportunidades. (Foto: reprodução/Nonato Sousa/ALE-RR)

“Essa discussão é importantíssima, justamente para a gente saber como é que essas desigualdades e estereótipos de gênero vêm a contribuir positiva e negativamente para o desempenho da atividade militar. Como é que nós, enquanto profissionais de segurança pública, podemos minimizar essas desigualdades e buscar uma prestação de serviço de excelência para a nossa população?”, questionou.

A oficial acrescentou que isso só é possível se as mulheres também tiverem um tratamento digno e com mesmas oportunidades e direitos dentro da corporação. O XV Enerp conta com o apoio da Assembleia Legislativa do Estado de Roraima, que tem atuado para garantir melhores condições de serviço aos policiais que se refletem diretamente na sociedade.

Poucas mulheres na segurança pública

Ainda segundo Camila, o fato de o número de mulheres dentro desses órgãos ainda ser visivelmente menor, é um reflexo da realidade onde não foi dada a oportunidade de ocupar esses espaços. Apenas em 2002, foi autorizada a participação feminina em concurso público para a área no estado de Alagoas.

“O preconceito contra a mulher policial ainda existe. Será que ela não ocupa esses locais porque não tem condições e a genética dela não permite ou por que isso não foi estimulado e ela não foi preparada para tal? A gente precisa refletir isso para que aquela mulher que faz parte da instituição tenha dignidade, seja respeitada, se capacite e preste um serviço de excelência para a sociedade, que é o nosso público-alvo”, concluiu.

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Último dia de encontro debateu machismo e assédio às mulheres dentro das instituições militares. (Foto: reprodução/Jader Souza/ALE-RR)

Enerp

O Encontro Nacional de Entidades Representativas de Praças foi promovido pela Federação Nacional dos Praças (Anaspra) e Associação dos Policiais e Bombeiros Militares de Roraima (APBM/RR), com início na última quarta (10).

O principal tema deste ano foi “Valorização profissional: policiais e bombeiros militares essenciais na segurança pública da sociedade”.