Cotidiano

Mais de 600 tipos de agrotóxicos são vendidos em Roraima

ANA GABRIELA GOMES

Editoria de Cidade

Mais 16 tipos de agrotóxicos foram liberados nesta segunda-feira, 2, pelo Governo Federal, para o uso de agricultores. Somente este ano, por meio do Ministério da Agricultura, já foram 48 novas autorizações, sendo 32 pesticidas utilizados pela indústria para a formulação de novos produtos e os 16 novos genéricos, sendo 15 já existentes no mercado. A utilização da venda do produto em Roraima, no entanto, só é feita a partir da demanda dos produtores.

De acordo com o diretor de Defesa, Classificação e Inspeção Vegetal da Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr), Marcelo Parisi, entre os 16 tipos de agrotóxicos liberados, há somente um original, o restante são genéricos “A empresa desenvolve a molécula, registra e quando acaba o período de patente as demais empresas podem fabricar. Foi o que aconteceu. Acabou a patente do original e agora as demais registraram sob os rótulos delas para poder vender”, informou.

Com a liberação, os produtos devem estar disponíveis no prazo de 30 a 60 dias. A partir da demanda dos produtores rurais, é realizada uma análise para saber quais dos produtos são indicados para as culturais locais e, em seguida, as empresas registram os produtos para que sejam vendidos no Estado. Atualmente, Roraima possui 600 registros que possibilitam a venda de agrotóxicos no estado. O número de produtos originais, no entanto, cai para a casa dos 100.

Na opinião do diretor, se tratando de produções em larga escala, o uso do agrotóxico é a opção mais adequada. “O agrotóxico tem um misticismo envolvido, mas é como se fosse um remédio para a planta. Para produções em larga escala, é mais natural que o organismo ou patógeno se desenvolva. É preciso usar o agrotóxico porque, além de ser mais barato, é um controle para larga escala”, disse.

Todo agrotóxico, ao ser vendido, precisa ser acompanhado por um receituário de um profissional habilitado. Por isso, Parisi contou que a Aderr fiscaliza as revendas para saber se as emissões estão ocorrendo e, em seguida, realizam as fiscalizações nas propriedades, a fim de saber de que modo o produto está sendo utilizado. Entre as irregularidades, as principais são o descarte errado de embalagem e uso de produtos que não são propícios.

PENALIDADE – Antes de ter a revenda autorizada, a Aderr verifica se o estabelecimento que será registrado pela empresa fabricante do produto oferece segurança para os funcionários e se o produto será guardado em local apropriado. Caso alguma irregularidade seja encontrada, antes ou depois disso, o responsável pela loja pode perder o registro do estabelecimento e sofrer multa. Para o produtor rural é aplicada uma multa, cujo valor vai depender do impacto gerado.

População avalia liberação e utilização de agrotóxicos


A agente de Proteção Aeroportuária Bárbara Peres e a professora Viviane de Oliveira falam sobre o uso de agrotóxicos (Fotos: Divulgação)

Com o anúncio da liberação de 16 novos agrotóxicos genéricos, a Folha foi saber o que a população pensa sobre o assunto. Para a agente de Proteção Aeroportuária, Bárbara Peres, a sociedade ainda não tem noção da nocividade dos agrotóxicos devido à falta de informação. “Os países desenvolvidos estão reduzindo cada vez mais o uso. No momento que o Brasil aumenta o consumo, ele vai contra o desenvolvimento. Se você pesquisar e ir atrás da utilização, as pessoas que têm contato direto com os agrotóxicos estão tendo sérios problemas de saúde. Acho uma coisa bem maléfica ao país e para todo novo povo”, disse. A engenheira Tatiana Melchior é a favor do uso dos agrotóxicos. Segundo ela, se forem utilizados conforme as especificações do fabricante e com o material de proteção adequado, o agrotóxico não oferece risco. “O uso dos agrotóxicos propiciou a grande produção de grãos que hoje alimenta a população do planeta”