CASO JÂNIO E FLÁVIA

Advogado pede apuração sobre vazamento de informações sigilosas

A Polícia Civil informou por meio da Corregedoria-Geral de Polícia, que todas as denúncias são devidamente apuradas

Advogado Guilherme Coelho em entrevista à FolhaBV(Foto: Wenderson Cabral)
Advogado Guilherme Coelho em entrevista à FolhaBV(Foto: Wenderson Cabral)

A defesa de Caio de Medeiros Porto, investigado por envolvimento na morte de Jânio Bonfim de Souza, de 57 anos, e Flavia Guilarducci, 50, ingressou com um pedido de providências junto à Corregedoria da Polícia Civil e o Ministério Público de Roraima. Segundo o advogado Guilherme Coelho, em entrevista à FolhaBV, informações sigilosas sobre o caso teriam sido vazadas.

“Tão logo foi iniciada a investigação pela autoridade policial para apurar esse evento criminoso já com a prisão de dois suspeitos – o inquérito policial foi colocado em sigilo absoluto. Porém, como é público e notório e conforme se infere pelas notícias que instruem este pedido de providência, a mídia local, sobretudo, vem diuturna e sistematicamente noticiando matérias acerca da investigação que agora está a encargo da Delegacia de Homicídios de Boa Vista”, diz trecho do requerimento.

Ainda segundo o advogado, o vazamento estaria sendo feito com a intenção de manipular a opinião pública. “Assim, se já não bastasse a ilegalidade da publicidade pelo vazamento de informações à imprensa de fatos acerca de uma investigação que está tramitando em sigilo absoluto, tal circunstância afigura-se ainda mais grave, quando se denota que esse vazamento seletivo vem se dando com um propósito nitidamente parcial por parte, em tese, da autoridade policial que denota a “satanização” perante a opinião pública de pessoas que são alvos dessa apuração. Isso porque, somente a autoridade policial que investiga o referido crime dispõe das informações que a mídia vem divulgando”, acrescentou.

O pedido da defesa junto a corregedoria é para que seja instaurado um Processo Administrativo Disciplinar para apurar o vazamento das informações e posteriormente a punição dos agentes públicos.

A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil que se manifestou por meio da seguinte nota:

A Polícia Civil de Roraima informa, por meio da Corregedoria-Geral de Polícia, que todas as denúncias são devidamente apuradas.

No caso em questão, a Polícia Civil confirma o recebimento da denúncia e esclarece que as informações serão investigadas.

Ressalta-se ainda que todos os procedimentos instaurados na Corregedoria da instituição têm, por força de lei, caráter sigiloso, respeitando o contraditório e a ampla defesa.

O caso

Jânio e Flávia foram assassinados no dia 23 de abril, na propriedade do casal, localizada na Vicinal do Surrão, município do Cantá. Dois suspeitos estão presos e outros três são apontados como participantes do crime, entre eles, o capitão da Polícia Militar, Helton Jhon da Silva de Souza, 48, que atuava como segurança do governador no dia do crime.

Um dia antes de ser assassinado, o casal registrou um boletim de ocorrência na delegacia da Polícia Civil de Cantá para relatar que teria sido ameaçado pelo vizinho, o empresário Caio de Medeiros Porto.

No dia seguinte, Jânio e Flavia foram baleados. O áudio da conversa dos suspeitos com o casal foi gravado pelas vítimas. Atingido no abdômen, o agricultor, ainda consciente, relatou ao vizinho, o mesmo que socorreu as vítimas, que quatro homens chegaram em uma caminhonete Chevrolet S10 branca em sua propriedade. Ele morreu pouco depois. A mulher, baleada na cabeça, morreu uma semana depois.