O ditador venezuelano Nicolás Maduro
O ditador venezuelano Nicolás Maduro (Foto: Divulgação)

Em uma virada no cenário político internacional, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi anunciado como capturado por forças dos Estados Unidos neste sábado, 3 de janeiro de 2026, após uma operação militar realizada em território venezuelano. O anúncio foi feito pelo presidente norte-americano Donald Trump, em meio a relatos de explosões e interrupções no fornecimento de energia em regiões de Caracas. O episódio ocorre após mais de uma década de Maduro no poder e marca o momento mais recente de uma trajetória política iniciada ainda nos anos 1990.

De motorista de ônibus à Presidência da República

Nascido em 23 de novembro de 1962, em Caracas, Nicolás Maduro Moros cresceu em uma família de classe trabalhadora. Antes de ingressar na política institucional, trabalhou como motorista de ônibus e atuou como dirigente sindical no setor de transportes, experiência que o aproximou de movimentos de esquerda e de lideranças políticas ligadas ao então presidente Hugo Chávez.

A aproximação com o chavismo abriu caminho para sua entrada na política formal no fim da década de 1990. Em 2000, Maduro foi eleito deputado da Assembleia Nacional e, nos anos seguintes, passou a integrar o núcleo político do governo. Durante a gestão de Chávez, consolidou-se como uma figura de confiança do presidente, assumindo funções estratégicas no Executivo e ampliando sua projeção nacional.

Entre 2006 e 2012, ocupou o cargo de ministro das Relações Exteriores, período em que representou a Venezuela em fóruns internacionais e participou da construção de alianças políticas e econômicas. Em 2012, foi nomeado vice-presidente da República, função que o posicionou como sucessor direto de Chávez.

Com a morte de Hugo Chávez, em março de 2013, Maduro foi indicado como candidato governista e venceu a eleição presidencial realizada no mês seguinte. A vitória ocorreu por margem apertada e foi contestada pela oposição, que questionou o resultado do processo eleitoral.

Governo, crise econômica e impacto social

Ao assumir a Presidência, Maduro passou a governar em meio a um cenário de crescente instabilidade política e econômica. Ao longo dos anos seguintes, a Venezuela enfrentou hiperinflação, retração da produção de petróleo, desabastecimento de alimentos e medicamentos e deterioração de serviços públicos essenciais, como saúde, energia e transporte.

Em 2018, Maduro foi reeleito para um segundo mandato em um processo eleitoral marcado pelo boicote de partidos de oposição e críticas de organismos internacionais quanto à transparência e à participação de observadores independentes. A partir desse período, os questionamentos sobre a legitimidade do governo se intensificaram.

A crise institucional se aprofundou em 2019, quando o então presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, declarou-se presidente interino do país, alegando vacância do cargo. A iniciativa foi reconhecida por diversos países, enquanto outros mantiveram apoio ao governo Maduro, prolongando o impasse político e diplomático.

Imigração em massa e efeitos regionais

Um dos principais efeitos do período de instabilidade política e econômica foi o êxodo de venezuelanos. Ao longo da última década, milhões de cidadãos deixaram o país em busca de melhores condições de vida, configurando um dos maiores movimentos migratórios da história recente da América Latina.

Os principais destinos incluíram países vizinhos como Colômbia, Brasil, Peru e Chile, além de nações da América do Norte e da Europa. No Brasil, o fluxo migratório se concentrou especialmente na região Norte, com impacto direto em estados fronteiriços, como Roraima, e posterior interiorização para outras regiões do país.

Organismos internacionais classificaram o deslocamento como uma crise migratória prolongada, associada à perda de renda, insegurança alimentar e dificuldades de acesso a serviços básicos dentro da Venezuela. O tema passou a ocupar espaço central em debates regionais sobre políticas de acolhimento, assistência humanitária e integração social.

Sanções, tensões internacionais e operação militar

Durante seus anos no poder, Maduro e integrantes do alto escalão do governo tornaram-se alvo de sanções econômicas e diplomáticas, especialmente por parte dos Estados Unidos e da União Europeia. Autoridades norte-americanas também apresentaram acusações formais contra o presidente venezuelano por suposto envolvimento com redes internacionais de narcotráfico, incluindo o chamado “Cartel dos Sóis”, o que resultou em pedidos de prisão e anúncios de recompensas.

Ao longo de 2025, as tensões entre Caracas e Washington se intensificaram, com registros de operações militares, apreensões de embarcações e trocas de acusações públicas entre os dois governos.

Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos anunciaram a realização de uma operação militar em território venezuelano, que teria resultado na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Segundo Donald Trump, o casal foi retirado do país e colocado sob custódia norte-americana.

Autoridades do governo venezuelano contestaram a versão apresentada e afirmaram não ter confirmação oficial sobre o paradeiro do presidente. A vice-presidente Delcy Rodríguez declarou que o governo buscava esclarecimentos sobre a operação.

Até o momento, não há confirmação independente sobre os desdobramentos da ação nem sobre o futuro político imediato da Venezuela.