NATAL E ANO NOVO
Planos de fim de ano são importantes para a saúde mental, diz psiquiatra
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Esse clima pode favorecer a uma reflexão da etapa que termina e o que se espera do novo que está por vir
Por Raisa Carvalho
Em 24/12/2017 às 00:25
Segundo o especialista, o momento prepara as pessoas para situações complicadas que muitas vezes não são encaradas durante o ano (Fotos: Divulgação)

Na medida em que o ano vai se aproximando do fim, as rotinas tendem a mudar o ritmo com os recessos de Natal, Réveillon e férias escolares. Esse clima pode favorecer a uma reflexão da etapa que termina e o que se espera do novo que está por vir. 

Os planejamentos para a nova etapa fazem parte desse balanço de dezembro e podem ajudar no estímulo para seguir em frente depois da avaliação das perdas e ganhos dos doze meses anteriores.

Para o psiquiatra Alberto Iglesias, ter uma boa saúde mental nos dias de hoje é mais do que lidar com nossas ansiedades, angústias, tristezas e incertezas do cotidiano, mas são necessários pensamentos positivos para o futuro e o clima natalino tem muito a contribuir para isso.

“O período sugere momentos agradáveis em reunião de família, generosidade, paz, amor, esperança no ser humano e atividades, como amigos secretos e doações, enquanto que o Ano Novo reflete novas promessas para o ano vindouro, metas e realizações, além da maneira introspectiva de analisar o que não foi realizado no ano que termina”, explica.

Se por um lado a maioria das pessoas está feliz e em paz com este período comemorativo, sabemos da dificuldade de algumas pessoas em socializar-se nas reuniões familiares de Natal e na reflexão do ano que passou.

Às vezes encontrar um familiar na ceia de Natal, que de certa forma te decepcionou durante o ano, um amigo que se afastou, ou mesmo perdas familiares recentes destas datas de final de ano, gera certa frustração na pessoa que não deseja esse encontro.

“O contato físico com certos familiares, no entanto, por servir para o perdão, doação e reunião familiar é necessário por parte de todos tolerância, paz e amor para reatar laços familiares e fortalecer a família”, explicou.

Segundo o especialista, o momento prepara as pessoas para situações complicadas que muitas vezes não são encaradas durante o ano.

“Esta ‘terapia’ forçada, para a qual nem sempre estamos preparados, ajuda o ser humano a ter capacidade de resiliência (resiliência é a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas) e de melhora da convivência social”, comentou.

Enquanto o Natal tem a capacidade para fechar um ciclo, o Ano Novo é um período de balanço e expectativas para o futuro. Mas o psiquiatra lembra a necessidade de se estabelecer metas plausíveis para o ano que se aproxima.

“Sabemos que estamos em um ano de grave crise econômica e que muitos perderam seus empregos, outros não conseguiram alcançar a meta financeira e aquisição de bens fixados no ano passado, sabemos que alguns preferem dormir no Réveillon e acordar no outro dia como se nada tivesse acontecido”, ressaltou.

O período incentiva e faz com que as pessoas busquem uma paz interior para saber lidar com as dificuldades, aceitar as perdas e realizar metas mais realistas para o ano de 2018, sem perder o otimismo e o bom humor altamente necessários para uma boa saúde mental.

“Feliz Natal e Próspero Ano Novo”, além de ser uma frase positiva e construtiva, deve ser dita por todos para que realmente haja produção e liberação de certos neuro-hormônios (endorfinas) e neurotransmissores (serotonina e noradrenalina), melhorando, com isto, o nosso humor, e que realmente possamos aproveitar melhor esta fase de Natal e Ano Novo, renovando a esperança por um mundo melhor e acreditando no Ser Humano como espécie que pode, sim, gerar transformações por uma sociedade melhor e mais pacífica.”

Excessos na hora da ceia

As comemorações de fim de ano marcam a reunião de familiares e troca de presentes. Outros elementos típicos dessas festas são encontrados nas mesas onde acontecem as ceias: os “comes e bebes”. Esperar por essas refeições é prática comum, mas elas devem ser feitas com consciência para evitar exageros, que se traduzam em inconvenientes, ganho de peso ou mal estar físico.

“Os objetivos das festas de fim de ano são a confraternização, o encontro, a gratidão, a vontade de estar junto dos que gostamos. As refeições também nos convidam a esses aspectos, mas não é o ponto principal. Então a maneira de evitar os exageros é ter bom senso”, finaliza.

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