Por Shirley Rodrigues
Em 13/01/2018

Com Nada 
* Uma gripe daquelas tem atravessado fronteiras e derrubado – literalmente – um monte de gente de todas as idades. Além de sintomas como tosse forte e contínua, febre alta e obstrução das vias aéreas, a influenza apresenta dores no corpo inteiro, tontura e, em muitos casos, vômito e diarreia, o que potencializa o perigo da desidratação. Não há remédio eficaz, senão vitamina C, muita água e descanso total.

Com Tudo 
* Este mês estreia a nova temporada do reality show Big Brother Brasil e o Pátio Roraima vai ser sede de uma ação promocional, após uma parceria exclusiva fechada com a filiada local da Globo. A ação acontecerá dia 22, a partir das 10h, e consiste em um quiz diferente. Em algum lugar do shopping, o “Big Fone” vai tocar. O cliente que atender no momento deverá responder corretamente a uma pergunta para ganhar um brinde/presente dos lojistas.

Dr. Ronaldo Marcílio e sua esposa Tânia – ladeados pelos filhos Flavio e Andre – felizes por celebrar hoje a idade nova dele

Quarto de Bode
* Desde ontem, tem sido intensa a movimentação na BR 174 – sentido Pacaraima, mais exatamente até o Km 100 daquela rodovia.
* Tudo por conta dos tradicionais festejos “Quarto de Bode” na propriedade do saudoso Sr. Jerônimo Cabral, que reúne desde pessoas da capital, do município do Amajari e adjacências. O ponto alto da festança será neste sábado.

Itinerante
* Está confirmado! A partir do dia 29 deste mês, a Vara da Justiça Itinerante retomará o atendimento com o ônibus pelos bairros da capital e municípios do interior do Estado.
* O bairro de Aparecida será o primeiro a receber o atendimento móvel da Justiça Itinerante e o ônibus permanecerá lá até o dia 31.

A maravilhosa D. Eunice Farias irá ilustrar, com sua iluminada presença, o Calendário das Mulheres de Roraima 2018

Itinerante II
* Ainda sobre o atendimento móvel da Justiça itinerante, no período de 5 a 7 de fevereiro, o ônibus estará no Centro Municipal de Saúde, do bairro Asa Branca.
* Os deslocamentos para o interior do Estado terão início em fevereiro, começando pelo município de Amajari, no período de 8 e 10, e no Bonfim, entre os dias 19 a 21 de fevereiro.

Audiência
*A Assembleia Legislativa de Roraima realizará uma audiência pública na próxima terça-feira, 16, a partir das 9h. A discussão foi agendada após reunião de sindicalistas com o presidente do Poder Legislativo, deputado Jalser Renier, preocupados em buscar uma solução para a crise financeira em que se encontra o Estado.
*Para a audiência pública será convidada a governadora Suely Campos, os secretários de Estado, representantes do Tribunal de Justiça, do Ministério Público de Roraima, Tribunal de Contas, Ministério Público de Contas e de Sindicatos.

Eleonísio Magalhães Assen, trocando de data hoje, ao lado de sua esposa Rose

#Rápidas
* A página de hoje é dedicada ao Conselheiro Marcus Holanda, que neste sábado recebe quilométricas homenagens por conta de sua troca de data.
* Também trocando de data hoje Cel. Moisés Xavier, Maise de Morais França e Andrea Araujo.
* Domingo, quem amanhece um ano mais maravilhosa, é a linda e loira Paulinha Leite, recebendo homenagens especiais dessa página.
* Também recebendo quilométricas homenagens domingo, a queridíssima Lourdes Pinheiro, pessoa linda, amada e respeitada por todos na nossa sociedade.
* Ainda de aniversário domingo Nilcilei de Araujo, Rafael Cais e France Lampert.

Perfil

Éder Rodrigues: “Temos que insistir na defesa da educação”

Éder Rodrigues é formado em Jornalismo e Sociologia pela Universidade Federal de Roraima; MBA em Marketing pela Universidade Gama Filho (AM) e é mestrando do Programa Pós-graduação em Geografia (PPGEO/UFRR). Servidor público concursado na UFRR, ele já trabalhou em diversos órgãos de imprensa e assessorias de comunicação no estado. Tem desenvolvido projetos nas áreas de produção editorial, comunicação visual, televisão e cinema com ênfase em documentários e vídeos experimentais com foco nas questões sociais. Coordena pelo terceiro ano o projeto de extensão: Mostra de Cinema Universitário Saberes Amazônicos. É membro da Rede Audiovisual de Roraima e o atual presidente da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta Metragistas - Associação Curta Roraima.

*Desde quando você soube que seria jornalista?
Meus pais são professores em escolas públicas, ambos com formação em Letras e, portanto, o universo dos estudos e da leitura sempre esteve presente, influenciando as minhas escolhas, assim como de meus irmãos, também professores atualmente. Ao sair do ensino médio, vi que havia na prática do Jornalismo a possibilidade do questionamento, da dúvida, do confronto com a ordem social estabelecida por meio de ferramentas mais imediatas na formação de opinião pública.

*Como surgiu a ideia de fazer um documentário sobre demarcação de Terras Indígenas em Roraima?
Quando cursava Sociologia, em 2012, devido a debates com amigos jornalistas e estudantes do centro, conversamos muito sobre as várias percepções da luta por território no Brasil, no qual percebemos que a violência contra os povos indígenas e a repressão contra toda forma de garantia de direitos para populações menos favorecidas estava sempre presente, mas era pouco explicada nos meios de comunicação.

*Como se deu a logística dos levantamentos para esse estudo?
O apoio na indicação bibliográfica de vários professores da UFRR e de outras universidades foi decisivo na construção da pauta e das entrevistas. Tivemos cerca de 10 pessoas envolvidas diretamente na produção. O Núcleo de Rádio e TV Universitária (NRTU/UFRR) foi importante para a montagem do filme e o trabalho da empresa LCCD produções na pós-produção. Reunimos dezenas de reportagens e vídeos sobre o tema, mas para fazer o documentário precisaríamos dos principais protagonistas desta história que são os povos indígenas. Conseguimos conversar com mais de 10 lideranças indígenas em Roraima de várias etnias, fato que nos ajudou a perceber a versão da história pelo lado de quem sofre a violência. No filme, temos também conversas com representantes do agronegócio, de entidades vinculadas ao setor produtivo, do judiciário e políticos locais.

*Que formas de violência contra os indígenas no período da homologação da TI Raposa Serra do Sol (TIRSS) foram detectadas em sua pesquisa?
Foram muitas. Lamentavelmente, nos últimos 40 anos, foram registrados em Roraima pelo menos 50 assassinatos, mais de 30 estupros, vários incêndios em comunidades indígenas, sequestros, destruição de prédios da região do Surumu (região onde ocorriam as assembleias indígenas e onde está localizado o Centro de Formação Indígena de Cultural), ameaças de mortes, tentativas de homicídios, casas destruídas, prisões ilegais, roças queimadas e cárceres privados. Muitos destes crimes estão impunes e são desconhecidos do grande público.

* Houve um “hiato” entre demarcação e a homologação da TI Raposa Serra do Sol, que acabou sendo decidida na Justiça. Como os líderes da resistência conseguiram “sobreviver” às pressões?
Os indígenas são resistentes. Gosto quando o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro diz: “vocês querem saber como será o fim do mundo? Perguntem aos indígenas, ele sabem muito sobre o fim do mundo, porque o mundo deles já foi destruído uma vez pelas invasões ocorridas na América”. Em Roraima, a organização dos movimentos indígenas e o papel da Igreja, sob influência da teologia da libertação, foram importantes. Os missionários da Igreja Católica, nos anos 70, fazem uma opção pelos menos favorecidos, no caso de Roraima, pela causa indígena.

*O que mais influenciava a sociedade dominante contra a homologação da TI Raposa Serra do Sol, o preconceito, a desinformação ou a questão financeira? E por quê?
Sem dúvida, o preconceito é o reflexo histórico do ódio contra o “diferente” no Brasil, somado à informação midiática tendenciosa e conservadora. O ódio aos menos favorecidos, que é a maior parcela da sociedade brasileira, é a herança que as elites não abrem mão.

*Esse trabalho levou seis anos pra ser concluído. Como se deu a coleta de dados?
Contamos com uma equipe reduzida, mas que tinha muita vontade, já que o que pretendíamos fazer tinha um misto de paixão pelo cinema, pela fotografia e pela história a ser contada. Ao longo destes seis anos, fizemos filmagens e registros com equipamento próprio de diversos movimentos, protestos, passeatas que ocorriam em Boa Vista, além de reunir fotos, vídeos na internet e diversas imagens deste período e dos anos em que iniciaram o debate sobre a homologação da Raposa Serra do Sol. Também produzimos imagens em Boa Vista, no interior do estado de Roraima, em comunidades indígenas e zonas rurais. As entrevistas foram surgindo ao longo do tempo de produção, aproveitando o tempo e a boa vontade dos professores da UFRR e a visita de pesquisadores do tema que passavam uma temporada em Roraima, assim como encontros ou eventos acadêmicos que tínhamos em outras universidades.

*Qual o impacto causado na região com a retirada dos não índios?
A saída deles gera um natural descontentamento, sobretudo porque muitas famílias construíram suas vidas em muitas regiões. No entanto, essa é uma versão da história. E a versão do colonizador. Na ocupação promovida pelo estado nacional com as doações de terras públicas na Amazônia, os impactos sociais foram desastrosos, porque não houve “indenização” ou reparação histórica aos povos autóctones. Pelo contrário, os indígenas, muitas vezes, precisavam se submeter, negar sua língua e cultura para trabalhar para fazendeiros, posseiros, garimpeiros e tentar sobreviver.

*A homologação deixou os indígenas mais autônomos?
Sim. O que percebemos é o crescente interesse na educação superior indígena e na reflexão do melhor uso do território em diálogo com os desafios contemporâneos por parte deles. Se a garantia da terra é uma vitória histórica, o acesso ao ensino superior também. São fatores que contribuem para esta autonomia.

*Que mensagem você deixa para o nosso povo?
Temos que insistir na defesa da educação. É por meio dela que a população tem a condição de analisar as práticas de quem está no poder e não apenas os discursos. Todos que são contra os direitos dos povos indígenas apenas reproduzem, sem crítica, o retrocesso social em nome de algum progresso econômico que beneficia a pequenos grupos privilegiados ligados às elites. Para construir uma sociedade melhor, precisamos respeitar a diversidade da sociedade e da cultura brasileira.

Shirley Rodrigues
shirleyfolha@hotmail.com
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