JESSÉ SOUZA

Constantes apagões exigem ações preventivas para evitar maiores prejuízos após incêndios

Esse é o cenário na subida da Serra do Tepequém, com árvores queimadas que podem tombar sobre a rede de energia

Em um espaço de 40 dias, o principal ponto turístico de Roraima, a Serra do Tepequém, no Município de Amajari, sofreu três severos apagões de energia elétrica, que por consequência provoca também falta de internet e água encanada. Essa é a realidade que os empreendedores de turismo, visitantes e a comunidade enfrentam às vésperas de Roraima sediar um grande evento turístico internacional, no próximo fim de semana. É sabido que a questão do fornecimento de energia elétrica é um problema de todo o Estado que seguirá enquanto não houver uma matriz energética confiável, a partir de quando o Estado estiver interligado ao sistema nacional por meio de Tucuruí.

No entanto, o problema de Tepequém poderia ser amenizado se as autoridades, junto com a empresa responsável pelo fornecimento, tomassem medidas preventivas a fim de evitar esses blecautes que ocorrem constantemente devido à queda de árvores sobre a rede. Desde o grande incêndio em Amajari, cujas queimadas começaram em outubro do ano passado e se intensificaram nos primeiros três primeiros meses deste ano, muitas árvores atingidas pelo fogo estão prestes a cair, fato este que ocorreu duas vezes em março e que continuará ocorrendo neste período de chuvas, caso não haja um serviço de poda e limpeza às margens da RR-203 na subida da serra.

A poda de árvores é um serviço imprescindível, mas negligenciado pelas autoridades, especialmente os órgãos ambientais em todos os níveis de governo, pois, por se tratar de serra, as chuvas e ventos fortes podem provocar estragos a qualquer época do ano, o que representa uma ameaça real para a população e turistas que têm como destino final a Serra do Tepequém, especialmente quem anda de moto. Nem mesmo o contrato de limpeza da margem da rodovia é cumprido pela empresa contratada para a obra de asfaltamento da rodovia, que é outro grave problema que veremos  a seguir.   

O resultado dessa negligência é que o principal ponto turístico de Roraima sofreu três longos apagões em um pouco mais de um mês. Um deles foi no dia 13 de março, quando uma árvore atingida pelo fogo caiu sobre a rede energética, deixando a população por 12 horas sem energia, água e internet. A cena se repetiu pelo mesmo motivo no feriadão da Semana Santa, quando foram 18 horas de blecaute, da manhã de Sexta-feira Santa até a madrugada de Sábado de Aleluia, provocando prejuízos incalculáveis ao turismo. Novamente, um apagão começou por volta das 23h desta segunda-feira e se prolongou até às 9h de terça-feira, impondo 10 horas de transtornos e prejuízos a todos.

Como as chuvas devem se intensificar a partir dessa semana, caso providências urgentes não forem tomadas para a poda de árvores e com a destinação de um grupo de resposta de prontidão por parte da empresa energética, o cenário de caos pode se repetir, piorando ainda mais a situação, uma vez que Amajari entrou no período de alta temporada do turismo. Inclusive, na mesma data em que ocorrerá o Salão Internacional de Turismo em Boa Vista, neste fim de semana, a Serra do Tepequém sediará o evento interestadual a Serra do Fogo Motofest, que irá reunir integrantes de motoclubes do Amazonas e Roraima, junto familiares e convidados.

Além da grande preocupação com o fornecimento de energia, as autoridades também negligenciam outras infraestruturas para o turismo em Tepequém, a exemplo da recuperação da RR-203, cuja obra de péssima qualidade se arrasta desde 2020. Inclusive, neste momento, a empresa está dando seguimento a um serviço de tapa-buraco no trecho entre a Vila Brasil e a Vila Tepequém, obra esta realizada a passos lentos e que, mais uma vez, pode nem ser concluída devido à chegada da chuva – e isso após quatro anos de intensa estiagem, com tempo suficiente para tudo fosse concluído com qualidade. Pelo menos, este ano, a recuperação do trecho da BR-174 entre Boa Vista e Amajari começou a caminhar de forma rápida, aliviando o sofrimento dos condutores.

As pontes de madeira representam outro problema de infraestrutura sempre pendente. Por ser uma rodovia estadual, é obrigação do governo não apenas fazer a manutenção, mas construir pontes de cimento para solucionar a questão definitivamente, garantindo trafegabilidade e segurança à vida de todos, especialmente dos turistas que precisam redobrar a atenção para não sofrer acidentes. Atualmente, nem manutenção nem projetos para substituir as pontes de madeira por de cimento. Inclusive, a ponte de madeira na entrada da Vila Tepequém, sobre o Igarapé do Paiva, está com sua estrutura comprometida e pode ser arrastada por uma enxurrada mais forte.

Há outras sérias situações que precisam ser resolvidas no que diz respeito à responsabilidade do poder público para favorecer o turismo, no entanto, na mesma medida em que as autoridades abrem frentes para enaltecer-se e mostrar uma realidade que não existe no turismo, o poder público não cumpre com sua parte de garantir infraestrutura básica e soluções de questões sérias como a indefinição fundiária, a falta de esgoto e abastecimento de água com qualidade. Valendo ressaltar que, se esses sérios problemas não forem resolvidos o quanto antes, Tepequém sofrerá consequências piores quando as obras do complexo turísticos que estão sendo construídas pelo governo estiverem prontas, o que aumentará a demanda de turistas consideravelmente.

*Colunista

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