
O cenário político na Venezuela e seus reflexos imediatos em Roraima foram os temas centrais do primeiro episódio de 2026 do Podcast Coffee Pub. Apresentado pela jornalista Marleide Cavalcante. O debate reuniu o historiador e geógrafo Dr. Luiz Aimberê Freitas e o Prof. Dr. Em Relações Internacionais Américo Lira para analisar a instabilidade provocada pela recente intervenção externa no país vizinho.
A discussão destacou o momento de “espera reflexiva” vivido pelo estado. De um lado, há a expectativa de que a saída de Nicolás Maduro do poder possa, finalmente, estabilizar a economia venezuelana e permitir o retorno voluntário de milhares de refugiados. Por outro, o Dr. Aimberê alertou para os riscos de segurança: a falta de controle em rotas não oficiais da vasta fronteira amazônica pode facilitar a entrada de grupos criminosos e milícias em território brasileiro.
O Dr. Américo Lira trouxe uma visão crítica sobre a influência dos Estados Unidos na região. Segundo o acadêmico, a estratégia americana sob o governo Trump busca reafirmar a América Latina como área de influência exclusiva, visando o controle das reservas de petróleo e o afastamento de parceiros comerciais como a China. Lira ressaltou que, embora a ação externa tenha sido decisiva, a ausência de um diálogo diplomático robusto gera um vácuo de poder que ainda ameaça a paz no continente.
Para além da crise, os especialistas defenderam uma mudança de perspectiva sobre a posição geográfica de Roraima. Em vez de ser vista como o “extremo” do Brasil, Boa Vista foi apontada como a capital estratégica do norte da América do Sul. A consolidação da rota via Guiana e a proximidade com o Caribe abrem oportunidades comerciais gigantescas para o agronegócio e a indústria roraimense, desde que haja estabilidade política nos países vizinhos.
A apresentadora Marleide Cavalcante encerrou o debate ressaltando o sentimento humanitário de quem vive na fronteira. Entre memórias de uma Venezuela próspera e o atual cenário de refúgio, o desejo da população local é que o país vizinho recupere sua autonomia e dignidade, encerrando um dos capítulos mais difíceis da história migratória da Amazônia