Raquel Rodrigues é nutricionista (Foto: Wenderson Cabral/FolhaBV)
Raquel Rodrigues é nutricionista (Foto: Wenderson Cabral/FolhaBV)

Com a chegada de um novo ano, cresce a procura por academias e por mudanças na alimentação. Segundo a nutricionista Raquel Rodrigues, esse movimento está diretamente ligado aos excessos comuns no mês de dezembro e à sensação de recomeço que marca o início do ano.

Após as festas, muitas pessoas passam a estabelecer metas relacionadas à saúde, à estética e ao bem-estar, o que inclui a busca por uma alimentação mais equilibrada aliada à prática de atividades físicas.

Apesar da percepção de que manter uma dieta saudável exige um alto investimento financeiro, a nutricionista afirma que é possível adotar hábitos alimentares mais equilibrados sem aumento nos gastos.

Mesmo com uma rotina intensa de exercícios, o consumo calórico maior do que o gasto diário impede a perda de peso

Para ela, essa ideia está associada a modelos antigos de dieta, baseados em alimentos caros e fora da realidade da maioria da população. Raquel destaca que a alimentação tradicional do brasileiro, composta por arroz, feijão, ovos, legumes, verduras e frutas, é, por si só, nutricionalmente adequada.

Preparo e escolhas fazem a diferença

De acordo com a profissional, o principal fator que interfere na qualidade da alimentação não é o alimento em si, mas a forma de preparo. Alimentos considerados saudáveis podem perder seus benefícios quando preparados com excesso de óleo, gordura ou embutidos.

O feijão, por exemplo, é uma opção nutritiva, mas deixa de ser saudável quando recebe grandes quantidades de carnes gordurosas, como calabresa ou carne de porco.

Outro ponto abordado é o receio em relação ao consumo de carboidratos, comum entre pessoas que buscam emagrecimento. Segundo a nutricionista, não há necessidade de exclusão desses alimentos.

“Não é preciso cortar arroz, feijão ou pão. O que importa é a combinação e a quantidade. Pão pode ser consumido, desde que não seja sempre com manteiga ou em excesso”, esclarece.

Para quem inicia a prática de exercícios físicos no começo do ano, Raquel alerta que o treino, por si só, não garante resultados. Segundo ela, a base do emagrecimento está na alimentação.

Mesmo com uma rotina intensa de exercícios, o consumo calórico maior do que o gasto diário impede a perda de peso.

A nutricionista também chama atenção para dietas restritivas e para o hábito de pular refeições, práticas que podem levar à perda de massa muscular e aumentar o risco de compulsão alimentar, especialmente no período noturno.

Sobre o consumo de alimentos industrializados, a nutricionista reconhece que nem sempre é possível manter uma alimentação totalmente in natura, mas orienta escolhas mais conscientes.

“Quando optar por produtos industrializados, é importante observar a lista de ingredientes. Quanto menos ingredientes, melhor. Também é preciso olhar calorias, fibras e proteínas”, orienta Raquel.

Entre as substituições acessíveis que podem ser feitas no dia a dia, Raquel destaca opções simples e de baixo custo.

“Não precisa trocar arroz branco por integral para ter uma alimentação saudável. A diferença calórica é pequena, e é possível aumentar a fibra incluindo legumes como cenoura e abóbora”, explica.

Ela acrescenta que trocas como patinho por músculo, frutas mais caras por opções da estação e leite integral por desnatado também ajudam a equilibrar a alimentação sem aumentar os gastos. Segundo ela, são mudanças simples, que não encarecem a alimentação e contribuem para a adoção de hábitos mais saudáveis ao longo do ano.