
Apesar de serem classificados como tumores benignos, os miomas uterinos estão longe de ser inofensivos e afetam milhões de mulheres em todo o mundo, com impacto ainda maior entre mulheres negras. A condição se caracteriza pelo crescimento anormal de tecido no útero e pode provocar sintomas como sangramento menstrual intenso, dor pélvica, anemia, alterações no ciclo menstrual e dificuldades para engravidar.
Dados de pesquisas realizadas nos Estados Unidos indicam que os miomas uterinos são extremamente comuns ao longo da vida reprodutiva. Estudos citados por pesquisadores da área de engenharia biomédica e saúde da mulher apontam que cerca de 70% das mulheres brancas e até 80% das mulheres negras desenvolvem miomas uterinos até os 50 anos de idade. A condição tende a surgir mais cedo, ser mais frequente e apresentar quadros mais graves entre mulheres negras, o que acende um alerta para a necessidade de diagnóstico precoce e acompanhamento regular.
Embora sejam chamados de benignos por não estarem associados ao câncer, os miomas podem crescer de forma significativa e comprometer a qualidade de vida. Em muitos casos, o diagnóstico vem acompanhado da orientação de apenas “monitorar” o quadro, já que as opções de tratamento ainda são limitadas e, frequentemente, restritas a intervenções cirúrgicas quando os sintomas se tornam severos ou interferem na fertilidade.
Pesquisadores alertam que a falta de compreensão sobre as causas dos miomas dificulta o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes. Estudos recentes têm buscado entender os mecanismos biológicos por trás da formação desses tumores, especialmente em populações mais afetadas, como mulheres negras. A expectativa é que esse avanço científico ajude a ampliar as opções terapêuticas e reduzir desigualdades históricas no cuidado com a saúde da mulher.
Enquanto novas soluções não chegam à prática clínica, especialistas reforçam a importância da informação. Reconhecer sintomas persistentes, buscar acompanhamento ginecológico regular e falar abertamente sobre alterações no ciclo menstrual são passos fundamentais para reduzir os impactos dos miomas uterinos e garantir mais qualidade de vida.
Vale ressaltar que os miomas uterinos têm diferentes formas de tratamento, que variam conforme a idade da mulher, a intensidade dos sintomas, o tamanho e a localização dos miomas e o desejo de engravidar. Em muitos casos, o acompanhamento clínico é suficiente, especialmente quando os miomas são pequenos e não causam sintomas importantes.
Quando há dor, sangramento intenso ou anemia, podem ser indicados medicamentos hormonais ou não hormonais para controlar os sintomas. Já nos quadros mais graves, procedimentos minimamente invasivos, como a embolização das artérias uterinas ou cirurgias, como a miomectomia (retirada apenas dos miomas). Em situações específicas, a histerectomia, pode ser recomendada. Especialistas reforçam que a escolha do tratamento deve ser individualizada e feita com acompanhamento médico, garantindo informação, autonomia e cuidado integral à saúde da mulher.