A hanseníase é uma doença antiga, mas que ainda está presente na realidade de milhares de brasileiros (Foto: Reprodução)
A hanseníase é uma doença antiga, mas que ainda está presente na realidade de milhares de brasileiros (Foto: Reprodução)

Neste domingo, 25 de janeiro, o Brasil chama a atenção para um tema que ainda gera dúvidas, medo e muitos mitos: a hanseníase. A data marca o Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase e reforça a importância da informação para reconhecer os sinais da doença, buscar tratamento e, principalmente, combater o preconceito que ainda existe em torno do assunto.

A hanseníase é uma doença antiga, mas que ainda está presente na realidade de milhares de brasileiros. Ela atinge principalmente a pele e os nervos, e pode causar problemas mais sérios quando não é identificada a tempo. A boa notícia é que tem cura, o tratamento é simples e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo informações do Ministério da Saúde, a transmissão acontece pelo ar, através de gotículas liberadas ao falar, tossir ou espirrar, mas somente quando a pessoa doente ainda não iniciou o tratamento. Assim que o acompanhamento médico começa, o risco de transmissão deixa de existir. Outro ponto importante é que a maioria das pessoas que entra em contato com a bactéria não desenvolve a doença, graças à defesa natural do próprio organismo.

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Ficar atento aos sinais do corpo é o passo mais importante para o diagnóstico precoce. Um dos principais alertas são manchas na pele que não coçam, não doem e apresentam perda ou alteração da sensibilidade, ou seja, a pessoa deixa de sentir calor, frio ou dor naquela região. Essas manchas podem surgir em qualquer parte do corpo, especialmente nas mãos, pés, braços, pernas e rosto.

Outros sinais comuns incluem formigamento, sensação de choque, dormência, inchaço nas mãos e nos pés, fraqueza muscular e áreas da pele mais secas, com menos suor ou pelos. Em alguns casos, podem aparecer caroços doloridos, feridas que demoram a cicatrizar, ressecamento do nariz e dos olhos e dores nas articulações. Ao perceber qualquer um desses sintomas, a orientação é procurar uma unidade de saúde o quanto antes.

O tratamento da hanseníase é feito com antibióticos, tomados por um período determinado, conforme orientação médica. A primeira dose é acompanhada por um profissional de saúde, e as demais podem ser tomadas em casa. Desde o início do tratamento, a pessoa já deixa de transmitir a doença, podendo manter sua rotina normalmente.

A prevenção passa principalmente pelo diagnóstico rápido e pelo acompanhamento das pessoas que convivem ou conviveram por muito tempo com alguém diagnosticado. Identificar os casos logo no início evita complicações, sequelas físicas e ajuda a interromper a transmissão.

Além dos cuidados com a saúde física, a data também chama atenção para o impacto emocional da hanseníase. Ao longo da história, a doença foi associada a exclusão e isolamento. No Brasil, por décadas, pessoas com hanseníase foram afastadas do convívio social, o que deixou marcas profundas. Hoje, sabe-se que o maior desafio não é apenas médico, mas também social: combater o preconceito e a desinformação.

Criado por lei em 2009, o Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase tem como objetivo justamente ampliar o diálogo, esclarecer dúvidas e lembrar que informação salva vidas. Reconhecer os sinais, buscar atendimento e tratar a doença com naturalidade são passos fundamentais para construir uma sociedade mais saudável, informada e sem estigmas.