AGENDA DA SEMANA

Delegado detalha sobre protomilícias em Roraima

Marcos Lázaro relatou os saldos durante os anos em que ficou à frente do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da PCRR

Marcos Lázaro esteve no Agenda da Semana, na rádio Folha FM. (Foto: Estúdio/Folha FM)
Marcos Lázaro esteve no Agenda da Semana, na rádio Folha FM. (Foto: Estúdio/Folha FM)

O delegado de Polícia Civil, Marcos Lázaro, detalhou as ações das operações de combate aos pequenos grupos de milícia no estado de Roraima nesse domingo (20), em entrevista ao Agenda da Semana, na rádio Folha FM. Segundo ele, a protomilícia começa quando os policiais passam a fazer “bicos” na segurança privada e chegam a colaborar com atividades ilegais, como o garimpo.

Marcos Lázaro pediu exoneração do cargo de diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil de Roraima (PCRR) na última semana. Em entrevista para relatar os saldos durante os anos em que ficou à frente do departamento, o delegado detalhou sobre as operações Mutum (ex-militar), Cuchillo (crime organizado da Venezuela) e Íkaros (milícias).

“Por que se mata tanto em Boa Vista? Vimos que haviam duas vertentes: o início de uma atividade de execução de pistolagem ligada às protomilícias militares, que envolve agentes de segurança pública, ex-militares e até civis. Não é uma milícia na acepção clássica, mas percebe que está nascendo uma. E a questão das importações das guerras particulares das facções da Venezuela”, aponta Lázaro.

Segundo ele, após a prisão do ex-policial militar investigado por 12 homicídios em julho de 2021, identificaram uma rede apoio, inclusive financeira, composta por ex-militares das Forças Armadas. O que caracterizava o início de uma milícia.

“Essa ação foi importante porque a gente descobriu, através da análise do que foi apreendido, como que estava surgindo a protomilícia, da promiscuidade entre os agentes de segurança pública e atividade de mineração ilegal, o garimpo. Então, tudo começa na, sem muita pretensão, segurança privada. O famoso bico. E dali evolui para coisas piores, escolta de minérios e até execuções”,

explica o delegado.

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Em seguida, conta que com a operação também encaminhou ao caso do policial militar morto durante o roubo de uma aeronave no garimpo, em 2022, uma vez que havia um outro grupo. Lázaro esclareceu que o policial morreu em ação do trabalho ilegal.

Outros assuntos

Marcos Lázaro também falou sobre o crime organizado da Venezuela em Roraima, onde houveram a prisão de 12 envolvidos em casos de esquartejamento na capital. O delegado ainda comentou sobre a taxa de elucidação de crimes no estado, o acúmulo de funções entre os delegados da PCRR e o que o motivou a pedir exoneração do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A entrevista completa está no YouTube. Confira!