
Roraima apresentou, em 2025, a maior taxa de desaparecimento de crianças e adolescentes do Brasil, com cerca de 40 casos por 100 mil habitantes, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O índice coloca o Estado no topo do ranking nacional nesse recorte específico ficando à frente do Rio Grande do Sul (27,61 por 100 mil habitantes), Amapá (24,05) e Paraná (19,85).
Em números absolutos, 296 crianças e adolescentes de 0 a 17 anos desapareceram em Roraima ao longo de 2025, o que representa mais da metade do total de registros no Estado. Ao todo, foram contabilizadas 577 pessoas desaparecidas no período.
O volume geral equivale a uma média de dois desaparecimentos por dia e resulta em uma taxa de 78,1 casos por 100 mil habitantes, uma das mais elevadas do país. A taxa também é superior à média nacional, de 39,71 desaparecimentos por 100 mil habitantes.
Em comparação com 2024, houve um aumento de 9,28% no total de ocorrências. Naquele ano, o Estado registrou 528 casos de pessoas desaparecidas e havia ultrapassado a marca de 1,8 mil pessoas desaparecidas nos últimos cinco anos.
Localizados
O levantamento do Sinesp mostra ainda que o volume de pessoas localizadas não acompanha o número de novos desaparecimentos ao longo do ano. Em 2025, Roraima registrou a localização de 248 pessoas que haviam sido dadas como desaparecidas. Do total, 144 eram crianças e adolescentes até 17 anos.
O número corresponde a uma taxa de 33,57 pessoas localizadas por 100 mil habitantes.
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Polícia Civil
Em novembro do ano passado, uma reportagem da Folha detalhou que o Núcleo de Investigação de Pessoas Desaparecidas (NIPD) funcionava com apenas dois servidores para atender todas as ocorrências no Estado. O núcleo responsável pelos desaparecimentos era o menor efetivo do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), enquanto outras áreas contavam com equipes mais amplas.
À época, em nota, a Polícia Civil informou que o NIPD passava por um “processo contínuo de fortalecimento operacional” e que estaria atuando um delegado e mais quatro policiais, além da autorização para reforço de mais dois integrantes do quadro da União. Apesar disso, a instituição destacou que a unidade atua na capital “em regime de plantão diferenciado e dispõe de equipe empenhada em assegurar que a busca por pessoas desaparecidas e a elucidação dos casos ocorram com agilidade, precisão e compromisso com a população roraimense”.