OPINIÃO

Linhão de Tucuruí representa soberania e desenvolvimento para Roraima

Dr. Hiran Gonçalves

Os testes de energização do Linhão de Tucuruí estão previstos para começar no dia 8 de setembro, marcando um momento histórico não apenas para Roraima, mas para o Brasil. A interligação do estado ao Sistema Interligado Nacional (SIN) é aguardada há mais de 15 anos e representa uma conquista coletiva, fruto de esforços políticos, técnicos e sociais que, ao longo de décadas, trabalharam para transformar em realidade um projeto estratégico para a segurança energética e o desenvolvimento regional.

Acompanhando de perto cada etapa desse processo, pude testemunhar como a determinação foi essencial para superar burocracias, sensibilizar governos e articular apoio político em diferentes momentos. Este não é um feito individual, mas sim o resultado de uma construção ampla que envolveu presidentes da República, bancadas parlamentares, órgãos técnicos, trabalhadores e comunidades locais. Mesmo assim, é motivo de grande orgulho ter participado ativamente dessa jornada e poder, hoje, ver a obra praticamente concluída, simbolizando a realização de um sonho que atravessa gerações.

Essa dimensão histórica também possui um lado pessoal. Desde 1976, meu pai sonhava em ver energia contínua e estável chegando a Roraima, como condição fundamental para que o estado pudesse crescer e oferecer dignidade ao seu povo. Décadas se passaram, enfrentamos obstáculos de toda ordem, mas agora estamos prestes a presenciar aquilo que parecia distante: energia limpa, confiável e mais barata para cada roraimense. Foi impossível não se emocionar ao ver a montagem da última torre e perceber que esse sonho coletivo finalmente se tornou realidade.

Além de garantir energia contínua e estável, o Linhão levará cabos de fibra ótica conectando Manaus a Boa Vista, o que revolucionará a conectividade do estado. Essa mudança abre portas para avanços na educação, saúde, inovação tecnológica e modernização dos setores produtivos, tornando Roraima mais competitivo, atraente a investimentos e integrado ao desenvolvimento nacional.

A magnitude e os desafios da obra falam por si. Foram necessárias 1.390 torres e 715 quilômetros de cabos. Em seu pico, mais de 3.600 trabalhadores estiveram envolvidos, montando estruturas de mais de 100 metros de altura em áreas de difícil acesso. Esse esforço humano, aliado à eficiência da Transnorte Energia (TNE), merece um reconhecimento especial, assim como a colaboração das comunidades indígenas, que compreenderam a importância do projeto e o receberam com consciência ambiental e espírito de integração.

O resultado será transformador. Roraima deixará de ser o único estado fora do SIN, abandonando a dependência cara e poluente das termelétricas a óleo diesel e a instabilidade da energia importada da Venezuela. Ganharemos estabilidade, economia e sustentabilidade, com reflexos diretos na vida de cada cidadão e na capacidade do estado de crescer de forma consistente.

Ao olhar para essa trajetória, é impossível não reconhecer que o Linhão é uma vitória de todos: do povo que esperou com paciência e esperança, dos trabalhadores que enfrentaram as maiores dificuldades para erguer a obra, dos técnicos e engenheiros que garantiram a eficiência, das comunidades locais que se engajaram no processo e dos parlamentares e gestores que, em diferentes momentos, ajudaram a abrir os caminhos.

Tenho orgulho de ter acompanhado essa caminhada de perto e de ter colocado meu mandato a serviço desse projeto. Mais do que uma linha de transmissão, esta obra é o símbolo de que Roraima faz parte do Brasil em sua plenitude. A energia que chega não é apenas eletricidade: é soberania, é desenvolvimento, é a chance de transformar a vida das pessoas. Acima de tudo, é a realização de um sonho histórico que agora se concretiza diante dos nossos olhos.

Dr. Hiran Gonçalves é médico e senador da República pelo Progressistas de Roraima

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