No derradeiro dia do ano, fui à padaria comprar alguns itens para um café da tarde. Iria reunir amigos fraternos em torno da mesa, no final do dia. Alguns deles não vi há algum tempo; o café tinha esse objetivo: reunir, agregar, congregar, compartilhar histórias, rebobinar memórias, e falar de fatos do ano que findaria. Na correria do dia-a-dia, a pausa em torno mesa do café era o lugar ideal para confraternizar. Como todos são aficcionados pelo segundo líquido mais consumido no mundo, só perdendo para a água, que entra em sua confecção, era o mote para tomarmos um bom café.

Ao chegar em casa, vi no saco dos pães, uma bela história, que já conhecia, mas não lembrava por inteiro, que reproduzo aqui.

“Um menino observava seu avô escrevendo em um caderno, e perguntou:
– Vovô, você está escrevendo algo sobre mim? O avô sorriu, e disse ao netinho:
– Sim, estou escrevendo algo sobre você. Entretanto, mais importante do que as palavras que estou escrevendo, é este lápis que estou usando. Espero que você seja como ele, quando crescer. O menino olhou para o lápis, e não vendo nada de especial, intrigado, comentou:
– Mas este lápis é igual a todos os que já vi. O que ele tem de tão especial?
– Bem, depende do modo como você olha. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir vivê-las, será uma pessoa de bem e em paz com o mundo – respondeu o avô.
– Primeira qualidade: Assim como o lápis, você pode fazer coisas grandiosas, mas nunca se esqueça que existe uma “mão” que guia os seus passos, e que sem ela o lápis não tem qualquer utilidade: a mão de Deus.
-Segunda qualidade: Assim como o lápis, de vez em quando você vai ter que parar o que está escrevendo, e usar um “apontador”. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas ao final, ele se torna mais afiado. Portanto, saiba suportar as adversidades da vida, porque elas farão de você uma pessoa mais forte e melhor.
– Terceira qualidade: Assim como o lápis, permita que se apague o que está errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mal, mas algo importante para nos trazer de volta ao caminho certo.
– Quarta qualidade: Assim como no lápis, o que realmente importa não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro dele. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você. O seu caráter será sempre mais importante que a sua aparência.
– Finalmente, a quinta qualidade do lápis: Ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida deixará traços e marcas nas vidas das pessoas, portanto, procure ser consciente de cada ação, deixe um legado, marcando positivamente a vida das pessoas”, Autor desconhecido

Por fim, à medida que o lápis é usado, ele vai se desgastando até acabar e ser substituído por outro. Logo, é preciso saber que um dia nós também seremos substituído. Quantos ensinamentos para começarmos um novo que está começando.

Luiz Thadeu Nunes e Silva

Engenheiro Agrônomo, jornalista, escritor e globetrotter

Autor do livro: “Das muletas fiz asas”