Renomados pensadores de distintos períodos e nações imprimiram suas ideias em nome de sociedades prósperas, livres e justas, como foi o caso do Iluminismo, movimento intelectual europeu que teve a França como berço e centro intelectual. O Iluminismo transcorreu entre 1685 e 1815 e tinha como base a razão, a liberdade e o avanço da sociedade por meio do pensamento racional e da ciência. Destacaram-se, nesse período, notáveis pensadores ingleses, como Francis Bacon, John Locke e Isaac Newton, além do francês René Descartes. Esses pensadores abriram caminhos para a prosperidade da humanidade, alicerçados na razão, que gera relações pautadas na amizade, desprovidas de quaisquer interesses ocultos entre as partes.

  Platão, um dos maiores filósofos e matemáticos da história, do período clássico da Grécia Antiga e criador da Academia — a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental —, vislumbrava a amizade como “a elevação da alma em direção ao bem supremo, uma forma de amor que transcende o físico e busca o essencial, formando um vínculo profundo e duradouro, baseado na admiração mútua da bondade”. Para o filósofo e orador romano Cícero, da Roma Antiga, em seu tratado filosófico Sobre a Amizade, “a amizade precisa ser fundamentada na virtude, no afeto mútuo e desinteressado, na sinceridade e advertência, na constância e lealdade, na comunhão de pensamentos e vontades, e precede o julgamento”. Para Cícero, “a amizade verdadeira é um dos maiores bens da vida”.

  No Brasil, a amizade é conhecida por ser calorosa, afetuosa e sociável, seja entre os próprios entes queridos — com a família ocupando lugar central —, seja com os amigos que formam o nosso cotidiano auspicioso e construtivo ao longo da vida. Ter amigos é ter a certeza de um abraço fraterno que gera bem-estar e invade a alma, iluminando diferentes caminhos. É cultura do povo brasileiro promover encontros semanais, nos quais a alegria é o ponto alto, celebrando o mais sublime acontecimento: viver!

  Os povos, de um modo geral, no mundo, valorizam a amizade como a grande luz que brilha em inúmeros horizontes: na alegria, no compartilhamento, na solidariedade e na troca de ideias inovadoras de toda ordem. Seria praticamente impossível alguém viver na região do Ártico, no extremo do Hemisfério Norte, onde vivem os inuítes (esquimós), povos que compreendem o Canadá, a Groenlândia e o Alasca, sem a amizade entre eles e suas relações interpessoais fortes, cruciais para a sobrevivência e o bem-estar social em um ambiente inóspito.

   A amizade é um valor humano universal e essencial para o bem-estar em todas as culturas. Vale lembrar que a forma como a amizade se manifesta e é priorizada pode variar culturalmente; contudo, em todo o mundo, ela possui grande valor.

  A Irlanda, por exemplo, conhecida como a “Ilha Esmeralda”, localizada no noroeste da Europa e cuja capital é Dublin, é considerada, em nível global, um dos países onde a amizade tem altíssima importância. Também se destacam, em solo europeu, Itália, Islândia, Portugal, Espanha e Grécia, países nos quais a hospitalidade é um traço cultural marcante, refletido na excelência das relações de amizade.

  Na África, merecem destaque a África do Sul, que incorpora a filosofia do Ubuntu — “Eu sou porque nós somos” —, e a Zâmbia, conhecida como “O coração quente da África”, reconhecida por seu povo gentil, hospitaleiro e pacífico.

  Na Ásia, o povo mongol, cuja população é em grande parte nômade e vive em regiões montanhosas de grande beleza, costuma receber calorosamente visitantes em suas gers (tendas tradicionais), mesmo quando são estranhos, oferecendo-lhes bebidas e alimentos.

  Já na Papua-Nova Guiné, na Oceania, as pessoas são amigáveis, descontraídas e possuem um forte senso de comunidade, no qual a amizade entrelaça a todos.

  A amizade desencadeia a grande luz: a paz, que é a maior aspiração da humanidade, na qual todos, independentemente de suas ideologias, crenças e das cores vibrantes da pele de cada ser humano, caminhem lado a lado, sem atropelos!

  Luz!

  Brasilmar do Nascimento Araújo – Jornalista

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