
Venezuelanos que vivem em Boa Vista, capital de Roraima, estado da fronteira do Brasil com a Venezuela, celebraram neste sábado (3) a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro e já começam a fazer planos para voltar ao País vizinho.
O anúncio da prisão foi feito pelo presidente norte-americano Donald Trump, cujo governo acusa o agora ex-líder da nação vizinha como chefe de um cartel, conhecido como Los Soles, supostamente responsável por enviar drogas aos Estados Unidos.
Desde 2015, Roraima enfrenta diretamente os impactos da onda migratória, desencadeada pela crise no País vizinho. Entre eles, pessoas vivendo em situação de rua e a sobrecarga de serviços básicos como saúde e educação.
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Segundo a OIM (Organização Internacional para as Migrações), o Brasil registrou, de janeiro de 2017 a outubro de 2025, mais de 1,3 milhão de entradas de venezuelanos, 72% delas em Pacaraima.
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No entorno da Rodoviária Internacional de Boa Vista, onde centenas de venezuelanos costumam se concentrar diariamente, a FolhaBV conversou com mais de 30 migrantes. Para maioria deles, o clima é de comemoração pela destituição de Maduro.

Assim pensa o casal Luiz Dias, pedreiro de 62 anos, e Maria Guillen, doméstica de 67. Agradecidos ao Brasil pelo acolhimento recebido há dois anos na Operação Acolhida, dizem esperar a situação no País vizinho se estabilizar antes do retorno à nação.
“Voltarei pra Venezuela quando tudo se normalizar, pra nós voltar ao Pais bem e trabalhar, vivermos bem, com medicamentos à nossa disposição”, declarou Dias.

Um outro venezuelano, que está há um mês em Roraima, comemorou anonimamente a notícia e disse esperar a queda completa de aliados de Nicolás Maduro. Ele atribui ao ditador a razão por vir ao Brasil.
“Estou aqui por causa da situação no meu País, onde os militares querem abusar da gente. Lá a falta de remédio é um problema, não tem trabalho. Vim ao Brasil para conseguir um emprego e enviar ajuda para minha família na Venezuela. Tenho pretensões de voltar para lá, mas vou aguardar o que vai acontecer daqui pra frente”.
Outro migrante, que chegou há três semanas no Brasil com a esposa e os três filhos, também disse que vai esperar a situação na Venezuela se normalizar antes de voltar.
“Estamos comemorando a queda de Maduro. Acho que a situação vai melhorar”, declarou.

Da mesma forma, a estudante Dioselin Urbina, 19, espera que a situação se estabilize na nação onde nasceu.
“Nosso País já sofreu muito, muitas dificuldades, problemas, crises. Esse presidente causou muita tristeza em nossas vidas. E a maior felicidade foi saber que ele caiu”, declarou.
Por outro lado, um venezuelano, informalmente, disse à FolhaBV não acreditar nos Estados Unidos enquanto o Governo Trump não mostrar provas de que capturou Maduro. Ele não gravou entrevista justamente pelo medo de perseguição à sua família no País vizinho.
Cubanos também celebram

Em Boa Vista, um grupo de cubanos, cujo País manifestou apoio à ditadura de Maduro e condenou as ações estadunidenses, também comemorou a queda do regime chavista. Uma mulher, anonimamente, disse que veio ao Brasil por situação semelhante, como a falta de comida.
“Meu País, em geral, o apoia porque se aproveita da riqueza da Venezuela, do petróleo e essas coisas. Mas eu, como cubana, não apoio o governo de Maduro. Estou de acordo com o fato de terem o sequestrado e tudo isso, porque, verdadeiramente, o que ele faz com os venezuelanos é uma injustiça”, comentou.



