
Os protestos contra o regime iraniano já deixaram ao menos 116 mortos e 2.638 pessoas presas após 14 dias consecutivos de mobilizações em todo o país. Os dados são da HRANA (Ativistas de Direitos Humanos no Irã), divulgados neste sábado (10), em meio a um cenário de bloqueio quase total da internet e restrições às comunicações.
Segundo a entidade, entre os mortos estão sete menores de 18 anos. Do total de vítimas, quatro não participavam dos protestos, incluindo profissionais da área da saúde. Outros 37 mortos eram integrantes das forças militares ou de segurança, além de um promotor. A HRANA aponta que a maioria das mortes foi causada por munição real ou balas de borracha, disparadas principalmente a curta distância.
De acordo com as informações de agências internacionais, os atos se espalharam pelo Irã desde 28 de dezembro em meio ao agravamento da crise econômica, marcada pela inflação elevada, desemprego e queda do poder de compra, mas passaram a incorporar denúncias contra a repressão estatal, restrições às liberdades civis e a condução política do país. As autoridades acusam os EUA e Israel de fomentarem o movimento.
Conforme os ativistas, paralelamente, autoridades judiciais e de segurança reforçaram o discurso de repressão, enquanto a mídia estatal passou a classificar manifestantes como “terroristas” ou “elementos armados”. Veículos ligados às forças de segurança, que mantiveram acesso à internet, estariam divulgando imagens e reportagens acusando os manifestantes de violência e depredação.
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Repercussão Internacional e Ações Governamentais
No cenário internacional, a repressão gerou reações. O presidente dos Estados Unidos afirmou que o Irã estaria “mais perto da liberdade do que nunca” e declarou que seu país está “pronto para ajudar”. Líderes da União Europeia e o governo do Reino Unido condenaram a repressão violenta, cobraram a libertação dos detidos e o restabelecimento total do acesso à internet.
De acordo com a HRANA, até o fim do décimo quarto dia foram identificados 574 locais de protesto em 185 cidades, abrangendo todas as 31 províncias do Irã. Entre os presos, 628 tiveram a identidade confirmada, enquanto outros 2.010 foram registrados como prisões em massa ou sem identificação individual. Apenas no décimo quarto dia, 327 detidos tiveram a identidade confirmada, reforçando o avanço da repressão policial e judicial contra o movimento