Portugal vai às urnas em eleição marcada por incerteza política e debate sobre imigração

Portugal se prepara para eleger, neste domingo, o novo Presidente da República, num cenário político considerado um dos mais incertos e polarizados das últimas décadas. Mais de 11 milhões de eleitores estão aptos a votar na 11.ª eleição presidencial desde o 25 de Abril de 1974, após dez anos de mandato de Marcelo Rebelo de Sousa.

A disputa conta com um recorde de 11 candidatos, e nenhuma candidatura surge, até o momento, com maioria absoluta assegurada, o que reforça a imprevisibilidade do resultado.

Novo cenário político

Nas últimas quatro décadas, o poder político em Portugal foi predominantemente alternado entre o Partido Social Democrata (PSD) e o Partido Socialista (PS). No entanto, esse equilíbrio tradicional foi alterado com a ascensão do partido Chega, de perfil populista e discurso mais duro, que se consolidou recentemente como a segunda maior força política do país.

Esse novo contexto mudou o tom da campanha presidencial e ampliou o espaço para temas como segurança, identidade nacional e imigração, que passaram a ocupar lugar central no debate público.

Imigração no centro do debate

A imigração, especialmente o crescimento expressivo do número de estrangeiros residentes em Portugal nos últimos anos, tornou-se um dos principais temas desta eleição. O assunto divide os candidatos entre propostas de integração e ampliação de direitos e posições mais restritivas, que defendem maior controlo migratório.

O debate ganhou ainda mais relevância com o aumento da comunidade brasileira, atualmente a maior população estrangeira residente no país. Questões como regularização migratória, acesso a serviços públicos, direitos laborais e combate à xenofobia estão no centro das preocupações de muitos eleitores.

Voto dos brasileiros

Cidadãos brasileiros que residem em Portugal há mais de três anos, possuem título de residência e solicitaram o Estatuto de Igualdade de Direitos e Deveres junto à Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) podem votar nas eleições portuguesas.

Segundo especialistas e observadores eleitorais, os brasileiros com direito a voto tendem a priorizar candidatos que defendem políticas de integração, proteção dos direitos dos imigrantes e uma abordagem menos restritiva à imigração.

A possibilidade de participação eleitoral de brasileiros em Portugal existe desde o ano 2000, mas a legislação estabelece que, ao optar por votar em eleições portuguesas, o cidadão abre mão do direito de voto nas eleições brasileiras.

Lista de candidatos

De acordo com a ordem no boletim de voto, concorrem à Presidência da República:

  1. André Pestana
  2. Jorge Pinto (apoiado pelo Livre)
  3. Manuel João Vieira
  4. Catarina Martins (apoiada pelo BE)
  5. João Cotrim Figueiredo (apoiado pela IL)
  6. Humberto Correia
  7. António José Seguro (apoiado pelo PS)
  8. Luís Marques Mendes (apoiado por PSD e CDS-PP)
  9. André Ventura (apoiado pelo Chega)
  10. António Filipe (apoiado pelo PCP)
  11. Henrique Gouveia e Melo

O boletim inclui ainda os nomes de Joana Amaral Dias, José Cardoso e Ricardo Sousa, cujas candidaturas não foram aceites pelo Tribunal Constitucional. Votos nesses nomes serão considerados nulos.

Decisão com impacto interno e externo

O Presidente da República exerce um papel-chave como Chefe de Estado, garante do funcionamento das instituições democráticas e representante de Portugal no exterior. Em um contexto de fragmentação política e crescimento do debate sobre imigração, o resultado das urnas poderá influenciar de forma decisiva os rumos do país nos próximos anos.