EUA agora mira Diosdado Cabello, número dois de Maduro

Diosdado Cabello Rondón é uma das figuras mais poderosas do regime chavista na Venezuela, considerado historicamente o segundo homem no comando depois do presidente Nicolás Maduro. Político militarizado e estrategista do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), ele exerce enorme influência sobre instituições estatais e sobre as Forças Armadas. 

Cabello já ocupou cargos como presidente da Assembleia Nacional, ministro do Interior, Justiça e Paz, e primeiro vice-presidente do PSUV, a principal organização política do chavismo. Sua proximidade com Hugo Chávez, fundador do chavismo, e depois com Maduro consolidou sua posição como um operador central do poder político e militar no país. 

Por que os Estados Unidos o miram

Nos últimos anos, Cabello não era alvo principal de Washington da mesma forma que Maduro, mas isso mudou com a escalada das tensões em 2025 e 2026. O governo dos Estados Unidos impôs sanções e recompensas por sua captura, acusando-o, assim como Maduro, de envolvimento em narcotráfico, corrupção e apoio a organizações criminosas transnacionais. 

Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, Cabello teria usado seu poder para extorsão, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas, incluindo supostas ligações com o chamado “Cartel de los Soles”, uma rede criminosa associada a altos oficiais venezuelanos. 

Em 2025, Washington duplicou a recompensa pela sua captura, elevando-a a US$ 25 milhões, um valor comparável ao oferecido por líderes de grandes organizações terroristas mundiais. 

Cabello em meio à crise aberta com os EUA

No início de janeiro de 2026, a relação entre Caracas e Washington entrou em colapso total: os Estados Unidos lançaram ataques militares na Venezuela, com o anúncio de que capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa durante uma operação em Caracas, um choque geopolítico na América Latina que poucos esperavam. 

Em meio ao caos, Cabello reapareceu em transmissões oficiais. Vestindo colete à prova de balas e cercado por forças de segurança, ele denunciou o que chamou de “ataque covarde dos EUA” e pediu calma à população venezuelana, enfatizando que o chavismo seguirá resistindo e defendendo a soberania do país. 

O papel de Cabello no regime chavista

Analistas e opositores descrevem Cabello como mais do que um simples político: ele é visto como um núcleo de poder paralelo, com controle sobre instituições militares e de segurança, e influência decisiva nas nomeações e decisões estratégicas do Estado. 

Internamente, ele é uma voz central no discurso governista contra qualquer ação estrangeira, frequentemente acusando os Estados Unidos de imperialismo e de tentar desestabilizar o país por interesses em seu petróleo e recursos naturais. 

Com as tensões atingindo um ponto crítico após a intervenção americana e a captura de Maduro, o destino de Cabello se tornou um dos elementos mais observados na crise. Washington tem repetido que pretende responsabilizar lideranças chavistas por cargos relacionados ao crime organizado e narco-tráfico, aumentando a pressão diplomática e legal sobre o regime. 

Dentro da Venezuela, Cabello é retratado pela mídia oficial como um defensor ferrenho da soberania nacional, enquanto críticos o acusam de ser um pilar da repressão política e da crise institucional que atravessa o país há anos.