Maduro e a esposa, Cília Flores, foram levados aos Estados Unidos e apresentados a um tribunal federal em Nova York (Foto Divulgação)
Maduro e a esposa, Cília Flores, foram levados aos Estados Unidos e apresentados a um tribunal federal em Nova York (Foto Divulgação)

Um mês após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar confirmada pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Venezuela vive um período de profundas transformações políticas, diplomáticas e econômicas. A prisão do líder chavista, apresentada por Washington como resultado de ataques simultâneos em território venezuelano, marcou o início de uma transição conduzida sob forte influência norte-americana.


Maduro e a esposa, Cília Flores, foram levados aos Estados Unidos e apresentados a um tribunal federal em Nova York, onde respondem a acusações de narcoterrorismo, tráfico de drogas e armas e conspiração. Ambos se declararam inocentes. No mesmo dia, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o comando do país como presidente interina, em meio a um cenário de instabilidade institucional.


Desde então, declarações e decisões do governo norte-americano passaram a pautar o debate político venezuelano. Trump afirmou publicamente que estava “no comando” da Venezuela, enquanto a Casa Branca sustentou que as decisões das autoridades interinas continuariam sendo ditadas pelos Estados Unidos. Delcy Rodríguez reagiu, dizendo que nenhum agente externo governa o país e reiterando, em diferentes ocasiões, que seu governo mantém a autoridade sobre o território venezuelano.


Apesar do discurso de soberania, Washington anunciou o início da comercialização do petróleo venezuelano, com controle da receita pelos EUA, e passou a definir quais empresas poderiam investir no setor energético do país. O tema do petróleo se tornou central na nova fase política: o Legislativo venezuelano aprovou uma reforma que abre o setor a empresas estrangeiras, enquanto o governo interino propôs mudanças na Lei de Hidrocarbonetos para atrair investimentos internacionais.


No campo diplomático, houve uma reaproximação inédita entre Caracas e Washington. O governo venezuelano anunciou o início de um processo para restabelecer relações diplomáticas com os Estados Unidos, recebeu uma equipe do Departamento de Estado para avaliar a reabertura da embaixada americana e passou a dialogar com uma nova representante diplomática dos EUA, inicialmente baseada na Colômbia. Trump também anunciou a reabertura do espaço aéreo venezuelano para voos comerciais e o fim da proibição a companhias aéreas americanas.


Paralelamente, uma ampla onda de libertação de presos políticos passou a ocorrer no país. Autoridades venezuelanas anunciaram a soltura de um número significativo de detidos, incluindo jornalistas e figuras ligadas à oposição. Dados da ONG Foro Penal indicam que, desde o início do processo, mais de 340 presos políticos foram libertados, embora centenas ainda permaneçam detidos. O governo interino também anunciou uma lei de anistia geral e determinou o fechamento do Helicoide, prisão que se tornou símbolo de denúncias de tortura.


Internamente, aliados de Maduro negaram qualquer negociação secreta com os Estados Unidos antes da ofensiva que resultou na prisão do ex-presidente. Já no campo oposicionista, Trump sinalizou apoio à participação da líder María Corina Machado no processo de transição política, após encontro entre os dois.


Passados 30 dias da prisão de Nicolás Maduro, a Venezuela segue em um cenário de transição marcado por disputas de narrativa sobre soberania, crescente influência dos Estados Unidos e mudanças estruturais, especialmente no setor petrolífero e na política de direitos humanos. O futuro do país permanece incerto, enquanto a comunidade internacional acompanha de perto os próximos passos do governo interino.