
Pesquisadores do projeto Saúde Única Amazônia BR, das universidades federais do Pará e do Piauí, coletaram esta semana amostras biológicas de cães, bovinos e morcegos na terra indígena Raposa Serra do Sol, no Uiramutã, Norte de Roraima. O estudo visa analisar e impedir a transmissão da raiva humana e outras zoonoses em regiões da Amazônia.
A coordenadora do grupo, Isis Abel, que é bióloga e professora da UFPA, informou que a pesquisa está sendo realizada no Pará, Amazonas e Roraima, estados que apresentam fisionomia vegetal diferente.
“No Pará, nosso campo de pesquisa é o mangue; no Amazonas, a floresta, e em Roraima, o serrado (lavrado). O estudo já revelou que fatores ambientais interferem na circulação da raiva em animais e humanos”, observou.
A equipe passou uma semana coletando amostras biológicas de animais, principalmente morcegos, na região da Serra do Sol. Para dar suporte aos trabalhos foi montado um minilaboratório de análises na escola municipal indígena Mãe Eliza, na comunidade Uiramutã, ao lado da sede do município.

A equipe capturou dezenas de morcegos e fez a coleta de amostras biológicas nas comunidades indígenas Uiramutã, Willimon e Monte Moriá I. Os pesquisadores agora vão analisar o material para confirmar ou não a ocorrência da raiva e de outras zoonoses na terra indígena.
“Apenas em uma noite capturamos mais de 50 morcegos. Um grupo de quatro alunos indígenas, adolescentes, acompanhou o trabalho de pesquisa. Uma aluna será bolsista no projeto. Até o fim desse semestre sairá o resultado”, adiantou a coordenadora.
Exposição
Na manhã deste sábado (17), os pesquisadores realizaram a exposição “Mala Museu” no malocão da comunidade indígena Uiramutã. Eles apresentaram exemplares de morcegos, deram informações sobre a raiva e orientaram o público sobre os cuidados que se deve ter. Houve também uma exposição fotográfica sobre o tema.
“Percebemos que alguns prédios públicos nas comunidades abrigam morcegos. Então, é preciso ter cuidado na hora da limpeza. Tem que usar máscara, luvas e água sanitária. No caso de contato ou mordida do animal, deve-se lavar o local com água e sabão, e depois procurar uma unidade de saúde”, orientou a coordenadora.
O médico veterinário Joseney Maia de Lima, responsável pelo programa da Raiva de Herbívoros da Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr), levou uma equipe de captura de morcegos hematófagos ao Uiramutã para prestar apoio aos pesquisadores.
Os técnicos também participaram da busca ativa de abrigos de morcego. O trabalho em equipe consistiu no monitoramento e na vigilância de zoonoses no município para evitar a circulação de vírus.
“Quem mora em comunidade deve ficar atento ao comportamento dos animais, se apresentam suspeitas de raiva ou se o rebanho foi atacado. É importante também informar à Aderr o abrigo de morcegos. Essas informações contribuem muito. A raiva é uma doença que circula em animais e humanos. Portanto, devemos ficar vigilantes”, observou o médico.


RAIVA
É uma doença viral gravíssima e quase 100% fatal, que afeta o sistema nervoso central de mamíferos, incluindo humanos, transmitida principalmente pela saliva de animais infectados (mordidas, arranhões ou lambeduras em feridas).
Uma vez que os sintomas aparecem, a morte é quase certa, mas a doença é 100% prevenível por vacinação animal e humana, além de medidas pós-exposição urgentes, como lavar o local e procurar atendimento médico imediato.