
A eleição presidencial em Portugal será decidida em segundo turno pela primeira vez em quatro décadas. A votação ocorreu neste domingo (18) e terminou com um cenário de forte polarização entre a esquerda e a extrema direita, refletindo o acirramento do debate político no país. A apuração começou logo após o fechamento das urnas, às 19h (horário local).
Com 100% dos votos apurados, o socialista António José Seguro, apoiado pelo Partido Socialista (PS), liderou a disputa com 31,13% dos votos e garantiu vaga na rodada final. Em segundo lugar ficou André Ventura, líder do partido de extrema direita Chega, com 23,49%, também avançando para o segundo turno, marcado para 8 de fevereiro.
O candidato do centro-direita, João Cotrim Figueiredo, obteve 15,99% dos votos e ficou fora da disputa. O resultado rompe uma tradição mantida desde os anos 1980, período em que todas as eleições presidenciais portuguesas haviam sido decididas no primeiro turno.

Desempenho regional
António José Seguro teve melhor desempenho em distritos tradicionalmente favoráveis à Aliança Democrática (AD), vencedora das eleições legislativas de 2025, indicando uma migração de votos moderados para o candidato socialista. Já André Ventura venceu na Região Autônoma da Madeira, bastião social-democrata, e manteve resultados expressivos em redutos onde o Chega vem consolidando apoio.
Imigração no centro do debate
O segundo turno deve intensificar o debate sobre imigração, um dos temas mais sensíveis da campanha e que evidencia o contraste entre os dois candidatos.
António José Seguro (PS) defende uma política de imigração regulada e humanitária, alinhada aos princípios da União Europeia. O candidato socialista sustenta que Portugal precisa da imigração para enfrentar o envelhecimento da população e a escassez de mão de obra, especialmente em setores como serviços, construção civil e agricultura. Seguro propõe reforçar políticas de integração, acelerar processos de regularização e garantir direitos básicos aos imigrantes, ao mesmo tempo em que defende maior eficiência administrativa e cooperação internacional.
André Ventura (Chega) adota um discurso restritivo e securitário. O candidato da extrema direita defende o endurecimento das leis migratórias, o controle rigoroso das fronteiras e a limitação da entrada de imigrantes, associando o aumento da imigração a problemas de segurança, pressão sobre serviços públicos e perda de identidade nacional. Ventura também propõe facilitar deportações e restringir benefícios sociais a estrangeiros.
Polarização e expectativa
A confirmação do segundo turno reforça o grau de polarização do eleitorado português e coloca frente a frente dois projetos opostos de país. De um lado, uma visão que aposta na integração e no papel econômico da imigração; de outro, uma agenda nacionalista e de contenção migratória. O desfecho da eleição, em 8 de fevereiro, deverá indicar não apenas o próximo presidente de Portugal, mas também os rumos do debate político e social no país nos próximos anos.