
O economista Aroldo Amoras dos Santos avaliou, neste domingo (11), a situação orçamentária e financeira do Estado de Roraima e as perspectivas para 2026.
Em entrevista ao programa Agenda da Semana, da Rádio Folha FM, ele destacou que, embora o Estado tenha registrado forte crescimento de receitas nos últimos anos, parte desse desempenho pode ser pontual e exige cautela na projeção das despesas futuras.
Segundo Aroldo, a gestão orçamentária depende diretamente da relação entre receitas e despesas, sendo a receita corrente líquida o principal parâmetro fiscal.
“A receita condiciona, limita ou permite a expansão da despesa, é como uma balança, de um lado a receita e do outro a despesa”, explicou.
Ao analisar as receitas estaduais, o economista destacou o desempenho das arrecadações próprias, especialmente ICMS, IPVA e Imposto de Renda Retido na Fonte.
Sobre o ICMS, ele afirmou que houve um crescimento expressivo em 2025.“O ICMS explodiu, passou de cerca de R$1,6 bilhão para mais de R$3,3 bilhões, um crescimento nominal de quase 108%”, afirmou.
Apesar do impacto positivo na liquidez do Estado, Aroldo ponderou que o comportamento é atípico.
“Valores extremos afetam a média. A gente não pode afirmar que esse crescimento veio para ficar. Pode ser um fenômeno eventual, de um período só”, disse, alertando que a projeção de despesas com base nesses números pode gerar problemas futuros.
O IPVA também apresentou aumento significativo, conforme o economista. “Foi um crescimento próximo de 120%, é como se a frota de veículos tivesse dobrado”, comentou.
Já o crescimento do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos (ITCD), segundo ele, está relacionado à regularização fundiária. “A regularização coloca milhares de imóveis no mercado de forma legalizada, e isso aparece na arrecadação quando ocorre a transferência”, explicou.
Em relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte, Aroldo destacou que a receita deve cair em 2026. “Com a isenção para salários de até R$5 mil, não haverá recolhimento nessa faixa, isso vai impactar a arrecadação do Estado”, relatou.
Ao tratar das transferências federais, o economista afirmou que o desempenho foi menos favorável. “O Fundo de Participação dos Estados praticamente não cresceu em 2025, em termos nominais, ficou próximo de zero”, disse.
Para 2026, a expectativa é de retração, ou seja, “A reforma tributária e a redução da arrecadação do Imposto de Renda e do IPI tendem a afetar o Fundo de Participação dos Estados e o Fundeb.”
Aroldo também abordou a evolução da dívida pública estadual. De acordo com o economista, em 2018 o estoque da dívida estadual era de aproximadamente R$2,1 bilhões.
“O governo foi pagando, pagou R$118 milhões em 2019 e R$134 milhões em 2020. Em 2021, por conta da pandemia, houve a suspensão do pagamento”, explicou.
Nos anos seguintes, os desembolsos foram retomados, com R$43 milhões pagos em 2022 e R$88 milhões em 2023. “No acumulado do período de 2018 a 2023, o governo despendeu cerca de R$370 milhões com o pagamento da dívida”, afirmou.
Apesar disso, o economista destacou que, entre 2024 e 2025, o estoque da dívida voltou a crescer. “Esse aumento se deu pelo endividamento, pela contratação de empréstimos e por parcelas não pagas em função da pandemia”, disse.
Conforme ele, apenas nesses dois anos houve um acréscimo de aproximadamente R$63 milhões. “Em outubro de 2025, o estoque da dívida chegou a R$2,364 bilhões”, pontuou.
Aroldo observou que, embora comparações simplificadas possam induzir a erros, os números indicam crescimento do endividamento estadual. “Ou seja, o governo atual aumentou a dívida interna do Estado, isso é o que os números dizem”, afirmou.
Para ele, os dados não sustentam a narrativa de que o governo teria herdado uma dívida de R$8 bilhões. “Esse número não sei de onde saiu, no fundo, a dívida aumentou pouco, mas nominalmente aumentou”, reforçou.
Ele explicou que, embora tenham ocorrido pagamentos ao longo dos anos, a contratação de novos empréstimos elevou novamente o estoque da dívida. “Isso significa que o serviço da dívida continua comprometendo recursos do orçamento”, observou.
Sobre a despesa com pessoal, o economista destacou que o percentual em relação à receita corrente líquida recuou em 2025 devido ao crescimento das receitas. “Em termos absolutos, a despesa não caiu, pelo contrário, aumentou”, disse.
Aroldo esclarece que caso a folha mensal avance em 2026, o Estado poderá enfrentar dificuldades para cumprir os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal que é de 49%.
“Se a receita não crescer no mesmo ritmo, o próximo governo vai ter dificuldade. Ou aumenta a receita ou vai ter que conter despesas para manter o equilíbrio”, concluiu.