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Folha foi às ruas para saber o que a população pensa sobre o decreto de calamidade na saúde anunciado pelo governo de Roraima

O governo de Roraima decretou calamidade na saúde do Estado. Foi alegado que o fluxo migratório somado à recente crise de violência na fronteira, após tentativa da entrada de ajuda humanitária no país vizinho, que deixou vários venezuelanos feridos em estado grave e encaminhados para o Hospital Geral de Roraima, contribuiu na decisão. Segundo o governo, o sistema de saúde do Estado não tem mais condições de suportar a atual demanda. A Folha foi às ruas para saber o que a população pensa sobre o decreto na saúde anunciado pelo governo de Roraima.

Ildete Mendonça, 34 anos, professora (Foto: Nilzete Franco/Folha BV)

“Acredito que a crise no sistema de saúde é também resultado de administrações anteriores. A corrupção se alastrou ao ponto de consumir até os direitos básicos do roraimense. Não tem a ver com o fluxo de imigração. Um hospital deve estar preparado para lidar com qualquer número de pacientes. Doenças, acidentes não escolhem data para acontecer.”

Paula Trindade, 19 anos, estudante (Foto: Nilzete Franco/Folha BV)

“É triste assistirmos à atual situação que vive o povo venezuelano, mas a crise na saúde pública é real e o índice de imigração nos afetou sim. Existem atendimentos básicos que deixaram de ser ofertados aos brasileiros para priorizar o estrangeiro. São seres humanos e devem receber assistência e o governo deve equiparar tanto o roraimense quanto o venezuelano.”

Susy Hilary, 18 anos, estudante (Foto: Nilzete Franco/Folha BV)

“Abdicar o direito do roraimense para prestar assistência ao imigrante é uma das causas da crise. O Hospital Geral é público, todos que estão buscando ajuda deveriam receber atendimento igualitário, mas não existe nem para a população de Roraima imaginem para os venezuelanos.”

Crisano Gomes, 45 anos, comerciante (Foto: Nilzete Franco/Folha BV)

“Trabalhei no Hospital Geral durante muitos anos. A crise já está instalada há muito tempo. Dizer que o problema é devido à presença dos venezuelanos é usar de desculpa para justificar a corrupção desenfreada no sistema. O governador antes de assumir o poder já sabia que o Estado estava quebrado, por que só agora tamanha surpresa?”

Francisco Assis, 53 anos, funcionário público (Foto: Nilzete Franco/Folha BV)

“Não existe apoio nem para o roraimense, multipliquem o problema com a presença dos venezuelanos. Todos nós precisamos de assistência! Cadê organização para atender toda a demanda? Já que houve o decreto, espero que isso chame a atenção para soluções drásticas, ou vão levantar as mãos e fingir que nada pode ser feito?”

Raimison de Almeida, 30 anos, empresário (Foto: Nilzete Franco/Folha BV)

“Sou uma das vítimas da crise. Estava com uma cirurgia marcada e me ligaram informando o cancelamento. A justificativa é a falta de material. Não existem medicamentos e itens básicos como algodão. Dizer que a crise é atual e resultado da imigração subestima a inteligência da população. A crise é resultado de todos os governos anteriores.”