Manifestação no centro de Boa Vista (Foto: Bruna Gomes)
Manifestação no centro de Boa Vista (Foto: Bruna Gomes)

Em meio à escalada de tensão política e militar na Venezuela, os efeitos foram sentidos nas últimas 48 horas na fronteira norte do Brasil, especialmente no município de Pacaraima (RR), principal ponto de passagem entre os dois países. Os acontecimentos começaram na madrugada de sábado (3), depois que os Estados Unidos anunciaram uma ofensiva militar em território venezuelano que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. O episódio, considerado sem precedentes na região, desencadeou uma série de reações políticas e sociais que ainda reverberam na fronteira e na capital roraimense.

Fechamento e reabertura da fronteira

Comandante-geral da Polícia Militar de Roraima, coronel Overlan (Foto: Charles Bispo)

Logo após o anúncio da captura de Maduro, a fronteira internacional foi fechada temporariamente pelas autoridades venezuelanas, interrompendo o fluxo de pedestres e veículos entre Pacaraima (Brasil) e Santa Elena de Uairén (Venezuela). Poucas horas depois, ainda no sábado à tarde, o bloqueio foi removido e a passagem foi reaberta, com revista de viajantes e movimentação descrita como tranquila e de fluxo reduzido.

O comandante-geral da Polícia Militar de Roraima, coronel Overlan, afirmou que, apesar da tensão no país vizinho, “o momento está tranquilo” na fronteira e que o policiamento foi reforçado de forma preventiva para garantir a segurança local e monitorar possíveis alterações no fluxo migratório.

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Reações de moradores e migrantes

Yoleida Lira, venezuelana de 38 anos (Foto: Charles Bispo)

No ponto de travessia fronteiriça, moradores e passageiros descrevem um clima de normalidade, mas também de incerteza. Yoleida Lira, venezuelana de 38 anos, relatou que atravessava a pé a fronteira quando tomou conhecimento da situação política no país e expressou descrença em relação ao governo liderado por Maduro nos últimos anos.

Em Boa Vista, centenas de migrantes venezuelanos se reuniram neste domingo (4) na praça do Centro Cívico para celebrar a prisão de Maduro, com música, queima de fogos e bandeiras, num ato que mesclou esperança por mudanças no país de origem com o alívio diante da perspectiva de um novo capítulo político.

Alerta humanitário e perspectivas em Roraima

Entidades e autoridades locais têm se mostrado atentas aos desdobramentos. Uma nota técnica da Defensoria Pública de Roraima divulgada neste sábado aponta para o risco de uma nova crise humanitária na fronteira, caso haja um aumento significativo no fluxo de migrantes venezuelanos em direção ao Brasil. O documento recorda que os abrigos e a operação humanitária que atua na recepção de migrantes já operam próximos da capacidade máxima, e que a resposta a uma potencial nova onda depende de ações coordenadas entre governos federal, estadual e municipal.

Especialistas alertam que, apesar da relativa calmaria observada até o momento, a região deve permanecer em estado de alerta, com monitoramento constante das condições de segurança e da movimentação de pessoas pela fronteira.

Contexto regional e diplomático

O episódio internacional também teve repercussões diplomáticas: o governo brasileiro, por meio de declarações oficiais, condenou a intervenção militar e classificou a ação dos Estados Unidos como uma violação inaceitável da soberania venezuelana, ressaltando a necessidade de respostas multilaterais para estabilizar a situação na América Latina.

Enquanto isso, autoridades de segurança e migratórias em Roraima seguem acompanhando de perto os desdobramentos, com forças policiais e equipes de apoio humanitário prontas para atuar diante de qualquer mudança no cenário fronteiriço.