O presidente do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem de Roraima (Sindprer), Melquizedek Menezes, informou que a greve continua mesmo após a decisão do desembargador Mozarildo Cavalcante, anunciada ontem, determinando prazo de 24 horas para que os enfermeiros da Capital e Interior do Estado retomem as atividades. Até ontem, muitos profissionais continuavam acampados em frete ao Hospital Geral de Roraima (HGR).
Segundo Menezes, assim que houver comunicado oficial da decisão, a representação sindical, por meio de sua assessoria jurídica, recorrerá judicialmente, pois alega que as condições de trabalho continuam precárias nas unidades de saúde do Estado. “Recorreremos para que todas as partes sejam ouvidas e para que a paralisação continue em prol de melhores condições na saúde”, disse.
A categoria tem mantido em atuação 30% dos profissionais, que estão de plantão, enquanto os 70% ficam mobilizados em frente às unidades. Na decisão do desembargador, a greve estaria comprometendo o atendimento à população, ficando comprovado que cirurgias deixaram de ser realizadas, assim como há transtornos para quem precisa de consultas, exames e outros procedimentos.
Menezes disse que o movimento grevista não tem a intenção de prejudicar a sociedade, e que as exigências são para uma melhor qualidade de trabalho, com consequências positivas no atendimento destinado aos pacientes. Lembrou que o Governo do Estado ainda não se posicionou para uma negociação quanto à deficiência na disponibilidade de medicamentos, materiais e equipamentos hospitalares, como bomba de infusão.
“Nós estamos proporcionando um impacto na comunidade porque falta material, medicamentos e insumos básicos para realizar os atendimentos. É uma paralisação em favor de condições dignas de trabalho, e por isso mantemos o estado de greve, pois as reivindicações não foram atendidas, e queremos também que a população seja melhor atendida”, frisou o sindicalista.
EMERGÊNCIA – Para demonstrar que os atendimentos de urgência e emergência continuam sendo realizados com precisão pelo corpo de enfermagem, houve um alerta falso de paciente chegando em situação emergencial no Pronto Atendimento Airton Rocha do HGR. Os plantonistas de imediato se posicionaram para atender o paciente que não existia. Em seguida, os profissionais souberam que se tratava de uma simulação.
A acompanhante de uma parente internada à espera por cirurgia, Ana Cláudia Dias, entende a paralisação dos profissionais de enfermagem porque, segundo ela, faltam até gazes para curativos. No entanto, reclamou do atraso na realização de cirurgias. “Minha irmã sofreu acidente e precisa operar o buco-maxilo-facial e está internada há 12 dias sem previsão de quando o procedimento será realizado. A greve está atrasando muitos atendimentos aqui no Hospital”, reclamou.
VISTORIA – A greve dos profissionais de enfermagem chegou ontem ao 11º dia, que culminou com a vistoria da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), com a presença dos deputados Lenir Rodrigues (PPS), Masamy Eda (PMDB) e Evangelista Siqueira (PT), realizada pela manhã, no Hospital Geral de Roraima (HGR).
Os membros da comissão andaram pelos corredores, foram à farmácia e demais setores, onde foram apurar as denúncias sobre as precariedades apontadas por enfermeiros, técnicos e auxiliares.
O técnico de enfermagem Alan Silva Veríssimo disse que a situação atual não oferece um ambiente favorável para atuação profissional e para o tratamento adequado dos pacientes. “Estas são as condições”, reclamou ao mostrar pacientes acomodados em macas sem colchonetes espalhadas em um dos corredores do hospital. (A.D)
Sesau diz que investe na estrutura física e aquisição de medicamentos
Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que tem feito investimentos em infraestrutura nas unidades de saúde do Estado e adquirido equipamentos e materiais hospitalares, além de medicamentos, reduzindo a lista de itens em falta, passando de 185 para 37 remédios pendentes de aquisição.
“O Estado com maior abastecimento do País é o Paraná, que ainda possui um índice de 17% de medicamentos em falta. Estamos em cerca de 70% de abastecimento e pretendemos melhorar ainda mais, no entanto, precisamos seguir normas rígidas para aquisição de medicamentos, principalmente no que diz respeito ao limite de preço, o que pode retardar a aquisição ou entrega de alguns materiais ou medicamentos específicos”, explicou o secretário estadual de Saúde, César Penna.
Segundo ele, a Sesau nunca avançou tanto em relação às condições de trabalho dos servidores da Saúde como nos dias atuais, considerando os investimentos na reestruturação física das unidades e em recursos humanos. “As principais unidades assistenciais da Capital e parte do Interior já receberam reparos importantes em infraestrutura e equipamentos, investimentos que em muitos casos não eram feitos há décadas, proporcionando um melhor ambiente de trabalho para os servidores”, informou Penna.
Um exemplo citado por ele é a proposta feita à categoria de convocar imediatamente mais 112 servidores, sendo 82 técnicos de enfermagem e 30 enfermeiros. Disse que na gestão atual foram nomeados cerca de 800 novos servidores, sendo 40% da área de enfermagem. “A Sesau tem ciência que ainda há necessidade de mais servidores, mas preza pela responsabilidade ao não assumir um compromisso com os servidores que não possa vir a cumprir”, disse o secretário.
Ele lembrou que a Sesau é a única secretaria que dispõe de um fórum de negociações permanente para discutir e negociar mensalmente todas as demandas dos sindicatos representativos das classes que atuam na saúde. Além disso, segundo Penna, todo sindicato da categoria tem livre acesso à gestão, sendo agendadas reuniões para acontecerem no prazo máximo de 48 horas.