Migrantes venezuelanos em situação de rua em frente à Rodoviária Internacional de Boa Vista (Foto: Wenderson Cabral/FolhaBV)
Migrantes venezuelanos em situação de rua em frente à Rodoviária Internacional de Boa Vista (Foto: Wenderson Cabral/FolhaBV)

Roraima possui 7.206 pessoas vivendo em situação de rua, de acordo com o Informe Técnico: Perfil da População em Situação de Rua no Estado de Roraima – Dezembro/2024, divulgado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (POLOS-UFMG) nessa terça-feira (13). O dado aponta para a forte concentração desse público na capital.

Segundo o levantamento, 99,47% das pessoas em situação de rua em Roraima estão em Boa Vista, que concentra 7.168 registros. Dos 15 municípios do estado, apenas oito apresentaram ocorrência dessa população. Pacaraima aparece com 15 pessoas cadastradas, seguida por Rorainópolis, com 10, enquanto os demais municípios têm números residuais ou não registraram casos.

O estudo tem como base dados do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico) e integra um mapeamento nacional que acompanha o crescimento contínuo da população em situação de rua no país desde 2022. No Brasil, o número passou de 327.925 pessoas em dezembro de 2024 para 365.822 no fim de 2025.

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Perfil Demográfico

Em Roraima, o perfil racial da população em situação de rua é majoritariamente negro. Pessoas pretas e pardas representam 76,8% do total. Os indígenas correspondem a 9,8%, enquanto 12,5% se identificam como brancas.

Foto: Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua

A faixa etária também chama atenção. 38,4% das pessoas em situação de rua no estado têm entre 0 e 17 anos, e 30,9% estão na faixa de 18 a 39 anos. Pessoas com 60 anos ou mais representam 14,9% do total. Quanto ao gênero, 53% são homens e 47% mulheres.

Escolaridade e Cadastro Único

Segundo a pesquisa, o aumento de população de rua também está ligado à precarização das condições de vida após a pandemia e aos deslocamentos forçados, como a migração venezuelana. Foto: Nilzete Franco/FolhaBV

O levantamento aponta ainda baixos níveis de escolaridade. 27,8% das pessoas possuem o Ensino Fundamental incompleto e 19,4% não têm qualquer instrução formal. Apenas 6,4% informaram ter ensino superior incompleto ou mais.

Apesar do cenário de vulnerabilidade, o relatório destaca que 86,3% das pessoas em situação de rua em Roraima atualizaram o cadastro no CadÚnico nos últimos 12 meses, fator que facilita o acesso a políticas públicas de assistência social.

Para os pesquisadores do Observatório, o crescimento desse contingente está associado ao fortalecimento do CadÚnico como instrumento de registro e à insuficiência de políticas públicas estruturantes, como moradia, trabalho e educação. Além disso, segundo a pesquisa, o aumento de população de rua também está ligado à precarização das condições de vida após a pandemia e aos deslocamentos forçados provocados por crises e emergências climáticas na América Latina, como a migração venezuelana.