Inaugurada em 29 de agosto de 1975, a Ponte dos Macuxi completa 50 anos nesta sexta-feira (29). O nome é uma homenagem ao povo Macuxi, etnia de maior número no Estado.
O início das obras foi em 1972, ainda no Regime Militar, época em que o Estado era chamado de Terrítório Federal de Roraima. A construção foi feita pelo 6° Batalhão de Engenharia e Construção do Exército Brasileiro, com o intuito de ligar Boa Vista aos municípios do Cantá, Normandia, Bonfim e fazer um elo de ligação com a Guiana inglesa.
A ponte foi considerada a maior em sistema de aço já construída na América do Sul, naquela época. No dia da inauguração estiveram presentes o então presidente da República, general Ernesto Geisel, acompanhado pelo governador do Território Federal de Roraima, o coronel Fernando Ramos Pereira.
Curiosidades sobre o dia de inauguração
Segundo o colunista da Folha BV, Francisco Cândido, no dia da inauguração não havia um indígena macuxi para cortar a fita junto ao presidente, então um Wapichana teve que realizar o ato no lugar.
De acordo com jornais da época, o batismo da ponte não foi bem aceito entre os indígenas. Eles não gostaram que o nome de seu povo fosse utilizado, já que a palavra “Macuxi”, que significa “rainha do alto”, é considerada sagrada para sua descendência e entendida como uma espécie de “propriedade privada da etnia”.
Em sinal de protesto, o cacique Damaio Gali recusou-se a cortar a fita simbólica ao lado do presidente Geisel, como estava previsto na solenidade de inauguração, realizada durante a visita presidencial a Roraima.
A recusa obrigou a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) a buscar, às pressas, um substituto, que acabou sendo Constantino Viana Pereira, tuxaua da comunidade indígena da Malacacheta, no atual Município de Cantá.
Autêntico indígena Wapixana, ele foi convidado a ficar, ao lado do presidente Ernesto Geisel, para descerrar a fita de inauguração. O registro foi confirmado por sua filha, Maria Nilda Viana Pereira, moradora do bairro Caimbé, em Boa Vista.