
A 1ª Brigada de Infantaria de Selva, responsável por toda a área territorial de Roraima apresentou, nesta quinta-feira (22), o balanço das atividades operacionais realizadas ao longo de 2025. Os dados foram divulgados durante coletiva de imprensa, em Boa Vista, pelo general de brigada Roberto Pereira Angrizani.
De acordo com o levantamento, a brigada empregou uma média diária de 429 militares e conduziu cerca de 35 operações mensais em todo o estado. As ações envolveram desde a defesa da soberania nacional e o combate a ilícitos transfronteiriços até operações humanitárias e apoio às populações indígenas e amazônidas.
Atualmente, mais de 3 mil militares atuam em 10 organizações militares, incluindo seis Pelotões Especiais de Fronteira (PEF) e um Destacamento Especial de Fronteira, localizados em áreas de difícil acesso. Desde 2024, 49 mil abordagens em 9.105 ações contribuíram para a redução de 98,77% das áreas de garimpo na Terra Yanomami.

Combate e prejuízo ao crime organizado
No balanço apresentado, Angrizani destacou as operações realizadas na faixa de fronteira, que resultaram em 241 reconhecimentos, 8 operações interagências de grande porte, além de aproximadamente 14 mil quilômetros de patrulhamento terrestre e 5 mil quilômetros de patrulhamento fluvial.
Essas ações geraram um prejuízo estimado em R$ 393 milhões às organizações criminosas, considerando apreensões de drogas, armamentos, equipamentos de garimpo ilegal e outros materiais ilícitos. As operações ocorreram de forma integrada com órgãos de segurança pública e agências governamentais.
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Na Terra Indígena Yanomami, a Brigada atuou no contexto da Operação Catrimani II, sob coordenação da Casa de Governo, com foco na desintrusão de garimpeiros ilegais, ações repressivas, apoio logístico e atendimento humanitário. Desde o início da operação, os resultados somam cerca de R$ 645 milhões em prejuízo ao crime, além de 325 prisões, apreensão ou inutilização de 45 aeronaves, 189 toneladas de cassiterita, 235 kg de mercúrio e mais de 3.600 máquinas e motores, 77 pistas interditada e 106. 000 procedimementos médicos realizados.

Reforço militar e novas tecnologias
No campo da defesa externa, a Operação Roraima manteve o reforço da fronteira norte com a chegada de novos meios militares. Atualmente, o Exército conta no estado com 32 viaturas blindadas Guaicurus, 16 Guaranis e nove Cascavéis. Roraima também foi o primeiro estado a receber o míssil anticarro MAX 1.2, de tecnologia 100% nacional.
Segundo o general, a Brigada passa por um processo de modernização contínua e deverá receber, até 2031, cerca de R$ 900 milhões em novos equipamentos, incluindo sensores ópticos, visão termal, sistemas de monitoramento e viaturas blindadas mais modernas, como o Centauro II, que chegará no Brasil a partir deste ano, ampliando a capacidade de combate e vigilância.
“O fato de Roraima receber esses meios demonstra a importância estratégica do estado no atual contexto regional e internacional”, afirmou.

Migração e segurança na Fronteira
Em entrevista a FolhaBV, o comandante informou que, apesar das tensões recentes no cenário internacional, não houve aumento no fluxo migratório na fronteira com a Venezuela. Pelo contrário, dados comparativos indicam uma redução de cerca de 40% na entrada de imigrantes, em relação a anos anteriores.
“O fluxo está estabilizado e, até o momento, não houve impacto direto dos acontecimentos recentes fora do país sobre a nossa fronteira. O confronto entre os Estados Unidos e a Venezuela continua não tendo efeito imediato na fronteira brasileira”, destacou.

Impactos social e econômico
Além das operações militares, foram realizadas 24 Ações Cívico-Sociais (ACISO) em 2025, levando atendimentos médicos, odontológicos, vacinação e distribuição de medicamentos a comunidades indígenas e amazônidas.
O Exército também teve impacto direto na economia local. A estimativa é que cerca de R$ 370 milhões tenham sido injetados em Roraima ao longo de 2025, por meio da aquisição de bens, serviços e movimentação econômica gerada pela presença militar.
Expectativas para 2026
Segundo o general Roberto, para 2026, a 1ª Brigada de Infantaria de Selva pretende manter o ritmo operacional, com foco na segurança da fronteira, continuidade da atuação na Terra Indígena Yanomami, ampliação do uso de novas tecnologias e fortalecimento da capacidade de pronta resposta.
“O maior desafio é manter diversas operações simultâneas em um território extenso e de difícil acesso, especialmente na região amazônica. Ainda assim, temos recursos humanos qualificados e planejamento para superar essas dificuldades”, concluiu.