
Mais de 156,6 mil migrantes e refugiados que ingressaram no Brasil pela fronteira norte já foram interiorizados por meio da Operação Acolhida. O número reúne atendimentos realizados entre 2018 e dezembro de 2025, período em que pessoas em situação de vulnerabilidade foram encaminhadas para 1.112 municípios brasileiros, principalmente a partir de Roraima.
A interiorização é uma das principais estratégias do programa e consiste no deslocamento voluntário dos acolhidos para outras cidades do país, com o objetivo de ampliar o acesso a trabalho, moradia, serviços públicos e redes de apoio familiar ou comunitário.
Segundo dados do governo federal, a ação ocorre após etapas de triagem em saúde, vacinação, regularização documental e orientação social, realizadas nos postos de atendimento em Boa Vista e Pacaraima, porta de entrada terrestre no Brasil.

Estrutura de acolhimento em Roraima
Atualmente, Boa Vista conta com seis abrigos, sendo três voltados ao atendimento de indígenas venezuelanos, além de dois alojamentos de trânsito – um na capital e outro em Pacaraima. No Posto de Triagem da capital, os migrantes recebem informações iniciais sobre serviços disponíveis e podem dar entrada em pedidos de residência ou refúgio, com atendimento da Polícia Federal e da Receita Federal.
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As ações de acolhimento e interiorização são coordenadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, em parceria com estados, municípios, organismos internacionais e entidades da sociedade civil.
“O trabalho é feito de forma integrada, com diferentes instituições, para garantir melhores condições de acolhida e oportunidades de inserção social e econômica”, afirmou o ministro Wellington Dias, ao destacar a atuação conjunta com agências ligadas à ONU, conforme orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Abrigo Rondon 1
Maior abrigo da América Latina, o Rondon 1, em Boa Vista, possui 361 unidades habitacionais e capacidade para 2.242 pessoas. A gestão é compartilhada entre o MDS e a organização humanitária AVSI. No local, além do acolhimento, as famílias são integradas à rede de serviços públicos, como os Centros de Referência de Assistência Social (Cras).
Modalidades de interiorização
O programa prevê quatro modalidades de interiorização, que seguem critérios de proteção social:
- Institucional – encaminhamento para abrigos de parceiros fora de Roraima;
- Reunificação familiar – acolhimento por familiares já estabelecidos em outros estados, com apoio mínimo de três meses;
- Reunião social – acolhimento por amigos, também com suporte inicial;
- Vaga de emprego sinalizada – deslocamento a partir de oferta formal de trabalho.
Ao final de 2025, os números consolidam a Operação Acolhida como a maior ação humanitária em curso no país, com impacto direto na redistribuição populacional e na integração de migrantes e refugiados à sociedade brasileira.