Por Sheneville Araújo
O ano ainda não acabou e a Sesau (Secretaria Estadual de Saúde) já registra 7.206 casos de malária em Roraima. Esses dados, referentes a casos notificados até o mês de outubro de 2016, correspondem a mais 90% do total registrado em 2015, quando a quantidade de casos da doença fechou os 12 meses do ano em 8.001 registros.
O que chama a atenção é que mais de um terço do total de casos (2.857) é de malária importada de outros países, a maioria da Venezuela, se concentrando, sobretudo no município de Pacaraima, porta de entrada dos imigrantes, com 1.202 casos, e na Capital, Boa Vista, com 1.453 registros.
O CAM (Centro de Atendimento ao Migrante), do Governo de Roraima, que tem realizado um trabalho de cadastro com imigrantes na Setrabes (Secretaria Estadual de Trabalho e Bem Estar Social), em um núcleo em Pacaraima e com atendimentos volantes por Boa Vista, divulgou recentemente que
A Secretaria Municipal de Saúde de Boa Vista, além do diagnóstico e tratamento da malária, desenvolve nas unidades de Saúde Básica atividades complementares de controle vetorial de malária.
Conforme informações da Semsa (Secretaria Municipal de Saúde), quando um caso da doença é notificado, é identificado o “local provável de infecção” (onde o paciente pode ter sido picado pelo mosquito) e, a partir daí, são desenvolvidas ações de borrifação intradomiciliar.
Em Boa Vista, em área urbana, nas áreas dos bairros Jardim Caranã, Cauamé, União, Operário, São Bento, Paraviana e Caçari, são as áreas com registro de casos autóctones (de origem local) de malária este ano, por conta dos criadouros naturais que estão às margens dos rios e igarapés nessas localidades.
Nessas áreas, são realizadas como rotina durante o ano a borrifação intradomiciliar nos imóveis que ficam em um raio de até 100 metros das margens dos rios e igarapés, independentemente do registro ou não de casos, como medida de prevenção.
Além disso, as atividades dos agentes comunitários de endemias no processo de prevenção, controle e vigilância da malária, são realizadas por meio da investigação de todos os casos notificados de malária que relatam ter como “local provável de infecção” o município de Boa Vista (área rural/urbana), para que em menor tempo possível sejam tomadas as medidas de controle vetorial e acompanhamento do tratamento quebrando assim a cadeia de transmissão da doença.
A Prefeitura desenvolve ainda trabalho de controle de ocorrência de casos em área urbana com a adoção de medidas que desfavoreçam a proliferação do agente transmissor, que vão desde o manejo ambiental, ao tratamento oportuno de todos os casos e o borrifação intradomiciliar nos locais prováveis de infecção.