Cotidiano

Justiça autoriza assistente terapêutico para estudante com TEA no Colégio de Aplicação

Universidade Federal de Roraima informou que não foi formalmente notificada sobre a decisão judicial

O símbolo do autismo representado pelo infinito
O símbolo do autismo representado pelo infinito, também conhecido como logotipo da neurodiversidade. O infinito nas cores do arco-íris celebra a esperança e a diversidade de expressão dentro do TEA (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV)

Uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determina que o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Roraima (UFRR) disponibilize um professor auxiliar especializado em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) para aluno diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

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A ação foi movida por Marcele Marilia Costa de Brito, mãe da criança, que alega que a falta do profissional está comprometendo a aprendizagem e a inclusão do filho. A advogada responsável pelo caso, Nayara da Silva Aranha Scapini, explicou que a instituição tem 15 dias para cumprir a medida, caso o pedido não seja acatado, a rede de ensino poderá sofrer penalidades.

“O colégio somente disponibiliza cuidadores e, devido ao diagnóstico de TEA e outros transtornos psiquiátricos e neurológicos do estudante, ele precisa ter esse acompanhamento especializado em sala de aula”, disse.

A mãe da criança já tinha solicitado ao colégio a presença desse profissional, porém o pedido nunca foi atendido.

“Após inúmeras tentativas, a mãe resolveu acionar a 1ª instância da Justiça Federal, mas a liminar foi negada, então recorremos com agravo de instrumento ao TRF1 que aceitou o pedido”, pontuou

De acordo com a decisão da Justiça, o Colégio de Aplicação terá que garantir o assistente terapêutico em sala de aula, assim como o Plano Educacional Individualizado (PEI), documento que detalha o planejamento pedagógico de alunos com necessidades educacionais específicas, como deficiência, TEA ou altas habilidades/superdotação. 

“A relevância desse caso é indiscutível, pois ainda existem muitas famílias de pessoas atípicas que permanecem sem acesso a informações sobre seus direitos e à garantia da acessibilidade educacional. Em grande parte das situações, apenas por meio de ações judiciais, os alunos com TEA têm conseguido assegurar a presença de um assistente terapêutico em sala de aula”, finalizou a advogada.

Em nota, a UFRR informou que, até o presente momento, não foi formalmente notificada sobre a referida decisão judicial. A instituição alega que se mantém atenta aos aspectos pedagógico e psicopedagógico com intuito de assegurar o suporte acadêmico e inclusão educacional necessária e fundamental a construção de uma universidade plural.

 “A UFRR reafirma seu compromisso com a inclusão, o respeito e a diversidade e permanece comprometida em fortalecer práticas pedagógicas inclusivas para garantir as condições adequadas de aprendizagem para os seus acadêmicos”.

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