Posto de combustível de Pacaraima tem queda na clientela (Foto: Wenderson Cabral/FolhaBV)
Posto de combustível de Pacaraima tem queda na clientela (Foto: Wenderson Cabral/FolhaBV)

Um posto de combustível de Pacaraima (RR), na fronteira com a Venezuela, registrou queda de 60% na clientela após a PDVSA, petrolífera estatal venezuelana, reabrir um posto no município venezuelano de Santa Elena de Uairén com o litro da gasolina a R$ 3. A reabertura ocorreu menos de um mês após a prisão do ditador Nicolás Maduro.

O preço 61% menor que o praticado na cidade brasileira, contudo, limitou-se ao final de janeiro. Nessa terça-feira (3), a Folha BV constatou que o litro da gasolina já era vendido por R$ 5,50 na região, ainda assim 30% mais barato que no Brasil.

O gerente do posto de Pacaraima, Wemerson Souza, 32, relatou que, anteriormente, o estabelecimento registrava filas formadas por dezenas de veículos. Ele confirmou que a empresa ainda estuda como vai atenuar a redução da clientela.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE



“Como os nossos impostos aqui são altos, nós não temos como competir com o preço deles lá”, lamentou.

Mas ainda há motoristas dos dois países que preferem pagar R$ 7,80 pelo litro da gasolina brasileira, com opções de pagamento em espécie, PIX e cartão.

Um venezuelano, que não quis se identificar, disse que cruzou a fronteira para pagar mais caro por confiar mais no produto brasileiro que do próprio País.

Posto da PDVSA

Posto de combustível da PDVSA, em Santa Elena de Uairén (Foto: Wenderson Cabral/FolhaBV)
Posto de combustível da PDVSA, em Santa Elena de Uairén (Foto: Wenderson Cabral/FolhaBV)

No posto da PDVSA, um funcionário, sem saber que conversava com a Folha BV, disse que o pico de movimento ocorre pela manhã e que a enxurrada de clientes só aconteceu apenas no dia em que a notícia da gasolina a R$ 3 se espalhou.

Ele ainda explicou que o preço costuma ser definido em dólar por autoridades superiores da empresa. No local, que funciona diariamente, a gasolina custa 0,93 dólares fixos e o diesel 0,50 dólares (R$ 5,63 e R$ 3,03, respectivamente, pela cotação desta quarta). O pagamento ocorre apenas em espécie.

Para adentrar o posto, que funciona diariamente das 7h às 20h, o condutor precisa aguardar um funcionário retirar a corda de proteção colocada para garantir que motoristas apenas abasteçam, em vez de usar o espaço para estacionamento.

Isso porque, com o rigor na fiscalização brasileira nos últimos meses, motoristas da Venezuela passaram a deixar veículos em espaços próximos ao monumento das bandeiras dos dois países, às margens da rodovia Troncal 10. Uma venezuelana viu nisso uma oportunidade para abrir um estacionamento e cobrar R$ 10 por veículo.