
Funcionários da área da saúde do Hospital Unimed realizam nesta segunda-feira (19), uma manifestação em Boa Vista em protesto contra atrasos salariais e o não pagamento do 13º salário. A mobilização envolve profissionais que atuam no atendimento domiciliar (home care) e no Centro de Desenvolvimento Infantil (CID).

De acordo com a fisioterapeuta Débora Lima, os atrasos nos salários ocorrem desde agosto de 2025. Segundo ela, os pagamentos, que deveriam ser realizados até o quinto dia útil, têm sido feitos com atraso de até dez dias. “Todo mês é de cinco a dez dias de atraso. As contas vencem, os juros vêm, e isso não é coberto”, afirmou.
Além dos atrasos mensais, Débora relatou que o 13º salário ainda não foi pago e que os trabalhadores não receberam prazo ou retorno oficial da empresa. “Até agora não foi repassado e não tivemos nenhuma resposta ou previsão”, disse. Segundo a profissional, cerca de 40 funcionários são afetados.
Ainda conforme a fisioterapeuta, também há queixas relacionadas ao não pagamento de férias e à ausência de depósitos do FGTS e do INSS. “Tem profissional entrando de férias sem receber. O FGTS não está sendo depositado há um bom tempo”, relatou.
O presidente do Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais de Roraima (Sinfeto), Wagner Fagundes, explicou que a paralisação foi decidida em assembleia geral extraordinária após tentativas frustradas de diálogo com a administração da empresa. “A reclamação recorrente da base é atraso de salário, não pagamento do 13º e das férias, sem qualquer justificativa”, afirmou.
Segundo Wagner, o sindicato notificou a empresa com antecedência de 72 horas, conforme prevê a legislação, mas não obteve resposta. “Não chegou e-mail, não chegou telefonema. Como estava votado em assembleia, a paralisação foi realizada”, explicou.
Durante a mobilização, os serviços foram impactados de forma parcial. O atendimento domiciliar, considerado serviço essencial, teve paralisação de 50%, com manutenção do atendimento a pacientes em estado grave no período da tarde.
Já o atendimento ambulatorial do CID foi totalmente suspenso durante o dia. “A lei de greve permite a paralisação parcial em serviços essenciais, e foi isso que fizemos”, destacou o presidente do sindicato.
Os trabalhadores também informaram que uma denúncia foi encaminhada ao Ministério Público do Trabalho no fim de dezembro, mas o procedimento teria sido arquivado sem justificativa formal, segundo os profissionais.
Na semana passada, a Folha noticiou a paralisação de técnicas de enfermagem que resultou na interrupção do serviço de home care da cooperativa, também motivada por atrasos salariais e falta de repasses trabalhistas.
O que diz a Unimed
A reportagem entrou em contato com a Unimed para solicitar posicionamento sobre as reivindicações dos funcionários e a manifestação realizada em Boa Vista, mas até o fechamento da matéria, não obtivemos resposta. O espaço segue aberto para esclarecimentos.