Foto: Charles Bispo
Foto: Charles Bispo

“Eu não podia esperar nada desse governo”, afirmou a venezuelana Yoleida Lira, de 38 anos, que atravessava a pé a fronteira entre Brasil e Venezuela, em Pacaraima, na tarde deste sábado (3), quando acompanhou as informações sobre a captura do presidente Nicolás Maduro em uma ofensiva militar dos Estados Unidos.

Moradora de Manaus há seis anos, Yoleida retornava das festas de fim de ano, após passar o réveillon com familiares, quando soube dos acontecimentos registrados durante a madrugada. Segundo ela, apesar do impacto da notícia, o episódio não causou surpresa. “Terrível, né? Ninguém esperava isso acontecer ali. Aconteceu”, disse.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Maduro e a esposa foram capturados e retirados da Venezuela por via aérea, sem detalhar o local para onde teriam sido levados. Após a ação, o líder venezuelano foi indiciado nos EUA por acusações de “narcoterrorismo”, que ele nega. Em resposta, o governo venezuelano denunciou uma agressão militar e exigiu provas de que Maduro estaria vivo.

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Durante a operação, explosões foram ouvidas a partir das 2h e uma grande coluna de fumaça pôde ser vista sobre Caracas, intensificando o clima de tensão no país.

Moradora de Manaus há seis anos, Yoleida retornava das festas de fim de ano, após passar o réveillon com familiares. Foto: Charles Bispo/FolhaBV

Para Yoleida, o momento é marcado pela incerteza. “Só esperar. Só esperar o que acontece novamente. O que vai acontecer”, afirmou. Ainda assim, ela acredita que a crise pode abrir espaço para mudanças. “Eu acho que sim que tem esperança de mudar”, disse.

Questionada se a retirada de Maduro e sua condução aos Estados Unidos geram preocupação, ela foi direta. “Na verdade, a mim não”, afirmou. “Os venezuelanos passaram muito mal. Eu não podia esperar nada desse governo.”

Segundo Yoleida, independentemente do desfecho político, o desejo dos venezuelanos que vivem fora do país permanece o mesmo. “Eu acho que todos os venezuelanos querem voltar para a sua pátria, para o seu país, para a Venezuela. Mas agora é aguardar.”