Cotidiano

Escola sem vigilância é invadida e fiação elétrica é furtada

Prejuízo na Escola Estadual Maria Neves Rezende com a falta de energia é de mais de 20 mil reais

Com a crise financeira do Estado, empresas de serviços que cuidavam da segurança de escolas estaduais deixaram de receber repasses, o que ocasionou a dispensa de funcionários e vulnerabilidade das instituições. A Escola Estadual Maria Neves Rezende, no bairro Asa Branca, é uma das que mais sofrem com a falta de segurança, por ter tido toda a sua fiação elétrica furtada, comprometendo tanto a energia quanto o abastecimento de água.

Diante dessa situação, um pai de aluno, que optou por não se identificar, explicou que a falta de energia compromete todos os trâmites realizados para aqueles que buscam transferência de escola.

“Estou precisando de documentos de transferência do meu filho para matrícula em outra escola e me deparei com o pessoal por lá trabalhando no escuro devido aos furtos. Já ocorreram três vezes, por causa da falta de vigias, e já quebraram portas e armários. Outras escolas também passam pelo mesmo problema”, afirmou.

Funcionários recebem demandas dos pais de alunos ao longo do dia e encaminham documentos preenchidos para a casa de uma coordenadora que cedeu seu imóvel para que servidores pudessem lançar toda a papelada no sistema da educação pública.

Segundo a gestora da escola, Maria Francineide, o prédio já foi invadido três vezes, resultando em danos a toda estrutura do local. “Na primeira vez que o furto aconteceu, que foi justamente na véspera do concurso da Polícia Militar, dia 8 de dezembro, os bandidos levaram toda a fiação que partia da rua para a escola. Por sorte, os organizadores arranjaram um cabo que pudesse realimentar a energia naquele dia. Na segunda vez, levaram a fiação das caixas de tensão e de muros, logo na madrugada seguinte. Na última vez, no dia 19, conseguiram entrar nas salas pelo forro do teto e arrombando as portas. Levaram um monte de papéis e materiais escolares”, explicou.

Maria Francineide também destacou que o tamanho do problema é tão grande que pelo menos dez escolas na capital já tiveram os mais diversos tipos de material furtados. O prejuízo da Escola Maria Neves, só na parte elétrica, é de mais de R$ 20 mil.

“Servidores da Secretaria Estadual de Infraestrutura vieram aqui e fizeram o levantamento do prejuízo. Inclusive, a equipe que checou a situação da eletricidade até mencionou que estava passando em outras escolas, que apresentaram problemas parecidos, entre tantos outros por falta de segurança”, contou.

Maria afirmou que, mesmo sem pagamento, o vigia da escola continuou trabalhando no local até o dia 16 de novembro, quando sentiu que já não haveria mais perspectiva de que o salário caísse em sua conta.

Prejuízo da Escola Maria Neves na parte elétrica é de mais de R$ 20 mil (Foto: Nilzete Franco/Folha BV)

“Ele já estava há um ano sem receber, e vinha para cá todo plantão que tinha, pois se preocupava muito com a segurança do colégio. Eu acredito que esses furtos não foram feitos por moradores do bairro, pessoas da comunidade, mas sim por quem realmente passa em locais que sabe que estão desguarnecidos para praticar esses crimes. De qualquer forma, entendemos que o orçamento está apertado, mas eu confio que o ano letivo começará com energia elétrica, sim”, concluiu.

‘FORMAS EMERGENCIAIS’ – A Secretaria de Educação e Desporto (Seed) informou, por nota, que registrou um Boletim de Ocorrência (B.O). A secretaria esclareceu que todos os contratos de fornecedores e prestadores de serviços estão sendo auditados e, tão logo o Estado disponha de recursos, poderão ser contemplados.

“Desta forma, o Departamento de Logística está estudando formas emergenciais para não prejudicar o ano letivo e para que as escolas que foram lesadas sejam recuperadas o mais breve possível”, complementou. (P.B)