Evite parcelar novas compras enquanto ainda estiver pagando as antigas (Foto Raisa Carvalho FolhaBV)
Evite parcelar novas compras enquanto ainda estiver pagando as antigas (Foto Raisa Carvalho FolhaBV)

Gastos com festas, viagens e presentes costumam deixar o orçamento apertado no início do ano. Com planejamento e pequenas mudanças de hábito, é possível retomar o controle financeiro e construir uma relação mais saudável com o dinheiro ao longo de 2026.

O impacto dos gastos de fim de ano
Dezembro costuma concentrar despesas extras: confraternizações, presentes, ceias e férias. Muitas vezes, esses custos são parcelados no cartão de crédito e só aparecem com força nos primeiros meses do ano seguinte, coincidindo com despesas fixas como IPTU, IPVA, material escolar e matrícula.
O resultado é conhecido: orçamento pressionado, dificuldade para pagar as contas e sensação de desorganização financeira.

  1. Faça um diagnóstico realista das finanças
    O primeiro passo é entender exatamente onde você está.
    Liste todas as dívidas, incluindo valor total, parcelas e juros

Registre sua renda líquida mensal

Anote gastos fixos (aluguel, contas, transporte) e variáveis (lazer, delivery, compras)

Ter clareza dos números evita decisões baseadas apenas na percepção — que quase sempre subestima os gastos.

  1. Priorize dívidas com juros altos
    Cartão de crédito e cheque especial estão entre as modalidades mais caras do mercado.
    Dê prioridade à quitação ou renegociação dessas dívidas

Avalie trocar dívidas caras por crédito com juros menores, como empréstimos pessoais ou consignados (quando disponíveis)

Evite parcelar novas compras enquanto ainda estiver pagando as antigas

  1. Monte um orçamento mensal possível de cumprir
    Mais importante do que um orçamento perfeito é um orçamento realista.
    Separe os gastos em categorias

Defina limites claros para despesas variáveis

Reserve um valor, mesmo pequeno, para lazer — cortar tudo costuma gerar desistência

Ferramentas simples, como planilhas ou aplicativos financeiros, ajudam a acompanhar o planejamento ao longo do mês.

  1. Crie uma reserva, mesmo que aos poucos
    A falta de reserva de emergência é um dos principais motivos para o endividamento.
    Comece com metas pequenas, como guardar 5% da renda

Automatize o processo, se possível

Use a reserva apenas para imprevistos reais, como problemas de saúde ou perda de renda

Com o tempo, o ideal é acumular o equivalente a três a seis meses de despesas.

  1. Reavalie hábitos de consumo
    O início do ano é um bom momento para rever comportamentos.
    Reduza compras por impulso

Compare preços antes de comprar

Reavalie assinaturas e serviços pouco utilizados

Planeje compras maiores com antecedência

Pequenos cortes recorrentes costumam ter mais impacto do que grandes sacrifícios pontuais.

  1. Use o cartão de crédito com estratégia
    O cartão pode ser um aliado ou um vilão.
    Evite usar todo o limite disponível

Prefira pagamentos à vista quando houver desconto

Acompanhe a fatura semanalmente, não apenas no vencimento

Defina um limite próprio, menor do que o oferecido pelo banco

  1. Planeje o ano, não apenas o mês
    Pensar no longo prazo ajuda a evitar novos apertos.
    Antecipe despesas sazonais, como impostos e datas comemorativas

Crie um “fundo” para viagens e fim de ano

Estabeleça metas financeiras para 2026, como sair das dívidas ou começar a investir

Planejamento reduz o estresse e aumenta a sensação de controle.

Organização financeira é processo, não milagre
Colocar as finanças em ordem depois de gastar demais no fim do ano não acontece da noite para o dia. É um processo contínuo, que envolve escolhas, disciplina e ajustes ao longo do caminho. Com informação, planejamento e constância, 2026 pode deixar de ser um ano de aperto e se tornar um período de reconstrução e equilíbrio financeiro.