
A Defensoria Pública de Roraima avaliou, neste sábado (3), que a situação registrada na Venezuela pode gerar reflexos humanitários no estado, com possibilidade de aumento do fluxo de pessoas pela fronteira norte do Brasil.
O órgão aponta que Roraima costuma ser o primeiro destino de quem entra no país por via terrestre, principalmente pelo município de Pacaraima. Em cenários de instabilidade no país vizinho, a tendência, segundo a instituição, é de crescimento na circulação de migrantes também em Boa Vista.
Na avaliação da Defensoria, grupos em situação de maior vulnerabilidade costumam ser mais impactados em contextos de deslocamento forçado, como crianças, mulheres, idosos, pessoas com deficiência, indígenas transfronteiriços e a população LGBTQIAPN+.
O documento indica que um eventual aumento da demanda pode afetar áreas como saúde, assistência social e educação, que já operam com limitações no estado. Entre os pontos observados estão a possibilidade de maior procura por atendimentos de urgência, partos e serviços materno-infantis, além de pressões sobre a rede de acolhimento.
Em relação à estrutura de recepção, a Defensoria observa que os abrigos e a Operação Acolhida historicamente operam próximos da capacidade máxima, o que exigiria planejamento para evitar ocupações improvisadas e impactos sanitários.
A análise aponta ainda que a resposta a uma eventual nova onda migratória depende de articulação entre os governos federal, estadual e municipais, com reforço das estruturas existentes e ampliação de políticas como a interiorização.
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Segundo a Defensoria, o material foi encaminhado a autoridades estaduais e municipais como subsídio técnico para decisões preventivas, diante de um cenário ainda em desenvolvimento.