Desde o último sábado (3), militares acompanham fluxo na fronteira Brasil-Venezuela. Foto: Charles Bispo/FolhaBV
Desde o último sábado (3), militares acompanham fluxo na fronteira Brasil-Venezuela. Foto: Charles Bispo/FolhaBV

Um eventual confronto entre os Estados Unidos e a Venezuela não provoca, neste momento, impactos diretos na fronteira brasileira, especialmente em Roraima. A avaliação é do comandante do Exército em Roraima, general de brigada Roberto Pereira Angrizani, que falou sobre o tema nesta segunda-feira (5), em Pacaraima, durante visita ao Posto Especial de Fronteira (PEF), na divisa entre Brasil e Venezuela.

“O confronto entre os dois países, inicialmente, não tem efeito, não tem relação com a atuação da nossa tropa aqui”, afirmou o general, ao destacar que a atuação das tropas no estado permanece inalterada. Segundo ele, a missão do Exército na região é manter a inviolabilidade do território nacional e dar apoio à Operação Acolhida, voltada ao atendimento de migrantes e refugiados venezuelanos.

De acordo com Angrizani, não há previsão de reforço no efetivo militar na fronteira, mesmo diante do cenário internacional. Atualmente, 129 militares atuam diretamente no PEF, com apoio de tropas em Boa Vista que podem ser mobilizadas em caso de necessidade. “Em princípio, não teremos nenhum reforço, porque nós já temos a tropa necessária para o controle dessa região”, disse.

Fluxo migratório

O general explicou que o Exército mantém presença permanente na faixa de fronteira desde 2018, quando foi desencadeada a Operação Controle, conduzida pelo Comando Militar da Amazônia e pela 1ª Brigada de Infantaria de Selva, em conjunto com a resposta humanitária ao fluxo migratório venezuelano.

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Além disso, segundo ele, o fluxo de migrantes permanece estável nos últimos dias, sem indícios de aumento. Ainda assim, a vigilância foi intensificada. “Redobramos a atenção, com monitoramento maior e patrulhamento mais constante durante o dia, mas o fluxo está na normalidade”, explicou.

Fluxo migratório é baixo. Foto: Charles Bispo/FolhaBV

Questionado sobre a possibilidade de crescimento do número de migrantes em razão de dificuldades internas na Venezuela, como o fechamento de rodovias ou a distância de Caracas até a fronteira, Angrizani descartou essa expectativa. “As informações que temos, inclusive a partir de fontes abertas e da própria observação da tropa, mostram que não há expectativa de aumento do fluxo neste momento”, afirmou.

Preparação e monitoramento na região de fronteira

Durante a visita, o comandante comentou ainda a orientação repassada aos militares que fazem o primeiro contato com os migrantes. Segundo ele, a tropa é experiente e profissional.

A agenda em Pacaraima contou também com a presença do comandante militar da Amazônia, general Vianna Filho. Conforme Angrizani, a visita integra a rotina de comando e liderança sobre as tropas em operação no estado.