Comunidade indígena realiza IV Festejo da Vaquejada

Vaqueiros são homenageados durante festa na comunidade Bom Futuro, na região das Serras, na terra indígena Raposa Serra do Sol

Em homenagem aos vaqueiros da região das Serras, no Uiramutã, a comunidade indígena Bom Futuro realizou, neste sábado (10), o IV Festejo da Vaquejada. Durante o evento, os indígenas comercializaram parte da produção agrícola e participaram de várias competições esportivas.


Na abertura do festejo, após a execução do hino Nacional, os produtores apresentaram os animais competidores. O vencedor do desfile foi o cavalo “Trocado”, da comunidade indígena Maracanã II. O dono do animal recebeu premiação em dinheiro.

O tuxaua da comunidade Bom Futuro, Renisson Michel Galé, falou da importância das parcerias para a produção agropecuária. Segundo ele, o indígena só precisa de apoio para plantar e colher. “Por isso, fizemos importantes parcerias com parlamentares, prefeitura, governo e órgãos federais. E o resultado está aí. Olha a nossa produção”, apontou.

Como o setor pecuário da comunidade também apresentou bons resultados, segundo Galé, o festejo deste ano teve como objetivo valorizar os vaqueiros. “A festa também marca o término de meu mandado como tuxaua. Recebi 50 rezes e entrego 78 e nossa produção agrícola superou todas as expectativas. Quem assume a partir de hoje é Artison Galé. Desejo Sucesso”.

O secretário de Agricultura do Uiramutã, Anderson Fontelle, informou que a produção agrícola nas comunidades indígenas aumentou, por isso é preciso, segundo ele, expandir a área de produção para alavancar a produção da agricultura familiar no município.

O secretário de Educação do município, Damázio de Souza Gomes, reafirmou que o trabalho em parceria com as comunidades vai continuar não apenas na área educacional, mas em todas que incentivem o desenvolvimento econômico na região.

“A produção agrícola indígena é crucial para a segurança alimentar, a preservação da biodiversidade e o equilíbrio climático, pois utiliza práticas agroecológicas ancestrais que garantem alimentos saudáveis para autoconsumo e abastecem mercados regionais. Vamos continuar trabalhando em parceria, pois quem ganha com isso é o nosso povo”, observou.

Após o almoço, os competidores disputaram torneio de futebol, corrida de cavalo e motocross, com a equipe “Os Brutos do Uiramutã”. Após as competições, o festejo terminou com muito forró.

Produção diversificada


Formada apenas por 28 moradores, sendo sete pais de família, a comunidade Bom Futuro, distante a 48 quilômetros da sede do Uiramutã, produziu ano passado, em 10 hectares, mais de 930 sacos de milho e 360 sacos de milho verde. Os indígenas também produzem banana, cana de açúcar, batata, macaxeira e hortaliças.
“Hoje colhemos o fruto do nosso trabalho. Isso comprova que o indígena só precisa de oportunidade para produzir e prosperar. Temos terras férteis para plantar. Então, fomos atrás de parcerias e conseguimos bater uma safra recorde este ano. Melhor. Conseguimos até um caminhão-baú para escoar nossa produção até a Capital. Sempre apostei nisso. A agricultura indígena, bem trabalhada, pode desenvolver economicamente nosso município”, finalizou o tuxaua.
Entre os parceiros da comunidade Bom Futuro estão a prefeitura do Uiramutã, secretarias municipais de Educação e Agricultura, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Banco da Amazônia (Basa), Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (IATER-RR) e Exército Brasileiro.