
Fechado ao público há pelo menos 15 anos, o parque aquático do Jardim Primavera acumula sinais de abandono por causa da falta de manutenção. Desde 2021, quando a obra de revitalização ainda nem havia acabado, o espaço é abrigo para uma família de migrantes venezuelanos, o que trava o Governo de Roraima a reabri-lo totalmente.
Enquanto isso não acontece, o local segue como palco constante de furtos de fios elétricos que o deixa às escuras durante a noite, além do vandalismo a grades e salas administrativas, e do consumo de drogas em meio ao mato, ao lixo e à sujeira. O parque ainda virou ambiente fértil para a proliferação de doenças como o aedes aegypti por causa da água suja acumulada na piscina principal.

Para amenizar o abandono, os próprios moradores do bairro costumam se reunir para fazer a manutenção do parque. E quem deseja usá-lo à noite para jogar futebol, por exemplo, costuma entrar pelas brechas das grades ou pelos portões das quadras danificadas pelo vandalismo para subir em postes e refletores, com o intuito de fazer uma arriscada ligação clandestina e ligar a iluminação.

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“Estamos limpando aqui tudinho, capinando e tudo, porque o nosso Governo abandonou aqui, esqueceu o parque aqui da gente. E tem muitas crianças que querem brincar. Agora, nós vamos limpar as piscinas, trazer uma bomba d’água para limpar”, disse o mecânico Gilberto Aparecido da Silva, 52.

Responsável pelo parque aquático, a Secretaria Estadual de Educação e Desporto (Seed) confirmou que já começou as tratativas judiciais para promover desocupação do humanitária dos migrantes do local, “respeitando os direitos das pessoas envolvidas”.
Além disso, a pasta esclareceu que não pode reabrir o espaço enquanto durar a ocupação irregular sob processo judicial de regularização, o que a limita de fazer ações de manutenção do espaço. Assim, quando a situação for resolvida, a Seed poderá reformá-lo.
“A abertura parcial do parque não é viável neste contexto, pois compromete a segurança patrimonial, dos usuários e dos próprios ocupantes”, completou em nota (completa ao final da reportagem).
Durante a visita presencial ao parque aquático, a Folha BV não conseguiu falar com os migrantes que vivem no espaço. O que haviam eram roupas estendidas, bicicleta e animais próximos às salas da entrada do local.
Insegurança no entorno
Vizinhos do parque confirmam que a atual situação dele leva insegurança para o entorno. Uma moradora, ouvida anonimamente, disse preferir se trancar em casa com a família. Um outro morador lamentou que o parque, fechado, não ajuda a impedir com que crianças e adolescentes entrem no mundo do crime.
Situação que ainda ajuda a derrubar as vendas de comerciantes como Hyago Araújo, 33, que vive há 17 anos do bairro Jardim Primavera.
“Durante a noite, quando dá 18h, começa a ficar tudo escuro. Tem gente que tem medo até de passar aqui. Alguns moradores não, né, porque já moram próximo, mas quem vem de outro bairro não passa por aqui porque é perigoso passar durante a escuridão”, declarou ele, que revelou que era adolescente quando tomou banho de piscina pela última vez no espaço.
A Polícia Militar (PMRR) disse fazer rondas regulares e atendimento de ocorrências pela região e que planeja uma operação específica no entorno para coibir crimes, especialmente em horários mais críticos, enquanto não forem adotadas “providências definitivas em relação ao espaço” (leia a nota completa ao final da reportagem).
Nota da Seed
“A Secretaria de Educação e Desporto informa que, assim como ocorre com todos os parques sob sua gestão, está em andamento um planejamento para a revitalização, reforma e pleno funcionamento de todos esses espaços públicos, conforme já anunciado pelo Governo de Roraima.
Em relação específica ao Parque Aquático do bairro Jardim Primavera, a Seed esclarece que o local passou por uma obra de revitalização. No entanto, antes da conclusão e reinauguração do espaço, durante o período da pandemia da Covid-19, o parque foi ocupado de forma irregular por uma família, o que impossibilitou legalmente a abertura ao público naquele momento.
Diante dessa situação, o Governo do Estado já iniciou as tratativas e ações jurídicas cabíveis, que estão sendo conduzidas pela Procuradoria-Geral do Estado, com o objetivo de promover a desocupação do imóvel de forma humanitária, responsável e dentro dos parâmetros legais, respeitando os direitos das pessoas envolvidas.
A Seed esclarece ainda que, enquanto perdurar a ocupação irregular, ficam limitadas às ações de manutenção, operação e reinauguração do espaço, uma vez que se trata de um bem público em processo de regularização jurídica. Ressalta-se que a abertura parcial do parque não é viável neste contexto, pois compromete a segurança patrimonial, dos usuários e dos próprios ocupantes.
Assim que ocorrer a desocupação e liberação definitiva do imóvel, o Parque Aquático Jardim Primavera passará por nova etapa de revitalização, com o objetivo de corrigir desgastes naturais ocasionados pelo tempo e pela não utilização regular do espaço. Concluída essa etapa, o Governo realizará a reinauguração, devolvendo o parque à comunidade em condições adequadas de uso, segurança e lazer.
A Seed reafirma seu compromisso com a valorização dos espaços públicos, a promoção do esporte, do lazer e da qualidade de vida da população, bem como com o respeito às normas legais e aos princípios da dignidade humana em todas as suas ações.”
Nota da PMRR
“A Polícia Militar de Roraima informa que mantém policiamento ostensivo e preventivo na região do Parque Aquático do bairro Jardim Primavera, com rondas regulares e atendimento de ocorrências conforme o planejamento operacional da Corporação.
A PMRR esclarece ainda que está em planejamento uma operação específica no entorno da área, com o objetivo de reforçar a presença policial e coibir práticas ilícitas, especialmente nos horários considerados mais críticos. As ações permanecerão contínuas até que sejam adotadas as providências definitivas em relação ao espaço.
A Corporação reforça que, em qualquer situação de emergência, a população deve acionar imediatamente o 190, canal direto com o Centro Integrado de Comando e Controle, possibilitando o deslocamento rápido das viaturas mais próximas.
A atuação da Polícia Militar é permanente e tem como finalidade garantir a ordem pública, a segurança e a tranquilidade da população.”