Advogado e ex-juiz federal Helder Girão Barreto. Foto: estúdio/Folha FM
Advogado e ex-juiz federal Helder Girão Barreto. Foto: estúdio/Folha FM

O advogado e ex-juiz federal Helder Girão Barreto avaliou que o caso envolvendo o Banco Master revela riscos econômicos e institucionais relevantes para o país, especialmente quando há uso de recursos públicos em operações financeiras de grande porte. A análise foi feita durante entrevista ao programa Agenda da Semana, da Rádio Folha FM 100,3, neste domingo (18).

Na avaliação do especialista, a operação que envolveu o Banco Master e o Banco de Brasília teria mobilizado cerca de R$ 12 bilhões, valor que, segundo ele, tende a gerar impactos indiretos sobre a economia caso haja prejuízo ao erário. Para Girão Barreto, operações desse tipo acabam refletindo no ambiente de negócios e no bolso da população.

“Quando se fala em dinheiro público, alguém sempre paga essa conta. Isso aparece no aumento de impostos, na elevação dos juros e no encarecimento do crédito. O empresário sente primeiro e, depois, esse custo chega ao consumidor”, afirmou.

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Durante a entrevista, o ex-magistrado também analisou decisões judiciais relacionadas ao andamento do caso, como o deslocamento do processo para o Supremo Tribunal Federal (STF) e a imposição de sigilo. Segundo ele, essas medidas fogem ao padrão esperado em investigações dessa natureza e merecem atenção da sociedade.

“Quando um processo sai da primeira instância e passa a tramitar no Supremo, ainda sob sigilo absoluto, isso causa estranheza. O caminho natural seria permitir que a Polícia Federal conduzisse a investigação com autonomia”, declarou.

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Para Girão Barreto, situações como essa reforçam a percepção de fragilidade no combate à corrupção no país e contribuem para a insegurança jurídica. Ele citou declarações públicas do ex-ministro do STF Joaquim Barbosa para sustentar que a impunidade não é vista como um fenômeno isolado.

Debate Público

O ex-juiz também fez um apelo para que o setor produtivo participe de forma mais ativa do debate público. Segundo ele, empresários são diretamente afetados por crises institucionais, mas ainda atuam pouco na defesa de pautas estruturantes.

“O empresariado acaba pagando a conta, mas não se organiza politicamente. Hoje, a eleição é a última saída institucional para promover mudanças dentro das regras do jogo”, afirmou.

A entrevista completa está disponível no canal no YouTube da rádio Folha FM.