Com terrenos e casas acima de R$ 1 milhão, o Paraviana, bairro nobre da zona Oeste de Boa Vista, está com dezenas de áreas particulares e públicas sem limpeza regular. Esses locais, próximos a casas e estabelecimentos comerciais, favorecem o risco de incêndios e de proliferação de doenças como a dengue, além de uma maior sensação de insegurança.
Na capital de Roraima, uma lei de 1974 obriga proprietários das moradias a manter limpas as áreas internas e externas dos imóveis, e prevê multa de até 200 Unidades Fiscais Municipais (UFMs), o equivalente a R$ 818, para quem descumprir a norma.
“No lado da minha casa, tem um terreno em que nunca ninguém descobriu quem é o dono dele. Nesses dias, tinha alguém com uma lanterna focando lá dentro. Eu não sei se era algum malandro. Mas isso deixa a gene inseguro”, disse um morador, sob condição de anonimato.
Os imóveis identificados pela Folha BV, além da sujeira, possuem algo em comum: não têm placas ou qualquer outra forma de identificar os donos para facilitar eventuais cobranças para se adequarem à lei antes de responderem a uma denúncia formal.
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No bairro, duas ruas empatam com três terrenos cobertos de mato. Uma delas é a Pau-Rainha, em que os imóveis estão nos cruzamentos com uma travessa homônima e a rua Guanabara, e no meio de um dos quarteirões da via.
Da mesma forma, a rua Mirixi tem três áreas sem limpeza recente, algo evidenciado pelo alto mato. Duas delas são vizinhas: uma sem muro e outra murada. Há ainda uma que forma esquina com a rua Levindo Inácio de Oliveira.
A Folha BV ainda identificou uma área situada entre as ruas Deusdete Coêlho e Caimbé, a qual ostenta um mato que supera a altura da própria estrutura de proteção, formada por muro, portão e concertina. Sem muro, um terreno do cruzamento da avenida Minas Gerais com a rua Araucária se encontra em situação semelhante.
“Isso é perigoso até pelo risco de dengue, né? Uma vez passei em um terreno ali e tinha uns oito pneus jogados de carro, essas coisas. Muita sujeira. A Prefeitura tinha que fiscalizar melhor, né?”, disse o mesmo morador ouvido pela reportagem.
Em nota, a Prefeitura prometeu que vai vistoriar os locais apontados pela Folha BV e notificar os proprietários a limpar as áreas, caso confirme as irregularidades. Ademais, enfatizou que são os donos os responsáveis por limpar frequentemente os terrenos particulares. Por fim, disse que a população pode denunciar casos como esses para a Central 156, “de forma rápida e segura”.
“[Isso porque] previne uma série de problemas como o acúmulo de lixo, entulho, mato e até mesmo a proliferação de insetos e roedores, que são potenciais focos de doenças, além – e não menos importante – de evitar multas por falta de manutenção nos terrenos. Muito importante a notificação e alertas de vizinhos, de forma a contribuir com uma cidade mais limpa, organizada e saudável a todos”, declarou.
Terrenos públicos
A reportagem também constatou que o problema também ocorre em terrenos públicos. É o caso de duas áreas institucionais que totalizam mais de 150 mil metros quadrados, equivalentes a quase 22 campos de futebol. Até a publicação do texto, a Folha BV não conseguiu confirmar a qual órgão pertence esses locais.
Locais como esses, especialmente em épocas secas, já foram palco de incêndios como o de fevereiro de 2024, entre a avenida Minas Gerais e as ruas Embaúba e Arapari, durante uma das maiores estiagens da história de Roraima. Atualmente, o mato já cobre completamente a cerca.
Sem proteção, uma outra área, de aproximadamente cinco mil metros quadrados na rua Sibipiruna, entre a avenida Minas Gerais e a rua Aroeira, dá espaço para lixo e mato.