
Lideranças indígenas da Raposa Serra do Sol se reuniram na comunidade Pedra Preta para debater proteção territorial, gestão ambiental e planejamento político para 2026. A 45ª Assembleia Regional das Lideranças Indígenas da Região das Serras ocorre desde terça-feira (25) no malocão da comunidade, em área de difícil acesso no Uiramutã, e segue até este domingo (30).
O encontro mobilizou mais de 600 indígenas macuxi e patamona, entre tuxauas, professores e coordenadores regionais. Com o tema “União, território, direitos e sustentabilidade”, o evento discute demandas prioritárias das comunidades, políticas públicas e a agenda do movimento indígena para o próximo ano.
Na manhã de sábado (29), o primeiro discurso foi de Zelandes Alberto Oliveira, liderança patamona da Divisão Escolar Indígena da Seed. Ele destacou a necessidade de ampliar a presença indígena na política institucional. “É preciso que nosso povo tenha representação política. Isso é importante para atender nossas demandas”, afirmou.
Em seguida, o prefeito do Uiramutã, Tuxaua Benísio (Rede), apresentou um breve balanço do mandato e enfatizou a dependência do município por recursos de emendas parlamentares. “Nosso município não tem arrecadação. É preciso correr atrás de dinheiro em Brasília. Só assim conseguimos construir escolas, postos de saúde e estradas. Faço parcerias com governo, deputados e senadores, mas não negocio o voto do meu povo. Jamais”, declarou.

Ele anunciou ainda a construção de novas escolas, ampliação da rede elétrica e abertura da estrada que dá acesso à comunidade Bananal, além de melhorias nas vias de Estêvão e Mudubim. “Para que tudo isso aconteça, precisamos de parcerias”, reforçou.
O secretário municipal de Saúde, Querginaldo Tomaz de Araújo Filho, acompanhou o discurso do prefeito e afirmou que busca recursos externos para manter os serviços. Sua adjunta, Julineide Sampaio, e coordenadores da pasta acompanham a execução das atividades.
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Educação anuncia obras e reconhece desafios
O secretário de Educação, Damázio de Souza Gomes, também prestou contas. Ele explicou a importância do decreto de criação das escolas para facilitar a gestão e apontou a insuficiência dos recursos repassados para merenda e transporte escolar. “O dinheiro é insuficiente. A prefeitura cobre mais da metade dessas despesas”, disse.
Damázio anunciou previsão de construção e reforma de unidades nas comunidades Estêvão, Waromada, Nova Vida, São Gabriel, Mutum, Monte Moriá I, Socó e Tamanduá. “Confiamos no trabalho do prefeito e vamos continuar oferecendo a melhor educação possível para nossas crianças”, ressaltou.

Entidades reconhecem avanços e cobram políticas específicas
O coordenador-geral do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Amarildo Macuxi, reconheceu o trabalho desenvolvido nas áreas de Educação e Saúde e destacou a importância dos centros regionais na formação de novas lideranças.
Já a coordenadora da Organização de Professores Indígenas de Roraima (OPIR), Marileia Teixeira, lembrou que a entidade atua em 14 regiões e reforçou as principais reivindicações.
“Cobramos mais vagas em concurso público, o plano de carreira para o professor indígena, formação continuada e o respeito às cartas da OPIR e da comunidade nos processos seletivos”, pontuou.
Debate político ganha espaço
Após as prestações de contas, a plenária abriu espaço para sugestões e intervenções das lideranças. As discussões avançaram para o debate partidário, com apresentação de nomes que podem disputar cargos nas eleições de 2026. O presidente estadual do PT, Benedito Albuquerque, também acompanhou a sessão.
O coordenador-geral da Região das Serras, tuxaua Djacir Melquior da Silva, ressaltou que a assembleia busca avaliar demandas e estabelecer prioridades para o próximo ano.
A comunidade Pedra Preta, sede do encontro, abriga atualmente 433 indígenas e fica a 52 quilômetros da sede do Uiramutã, entre serras e rios que dificultam o acesso.