Cotidiano

Abrigo estadual Yanomami prometido para início de março não foi instalado

Estrutura deve ser instalada a 200 metros da Casai Yanomami. Secretaria de Saúde diz que está em ajustes finais com o DSEI-Y, mas coordenação do Distrito afirma desconhecer o fato.

Previsto para ser instalado até o início de março, o abrigo estadual para indígenas Yanomami ainda não entrou em funcionamento. A estrutura deveria ser montada a 200 metros da Casa de Saúde Indígena (Casai) Yanomami, na zona rural de Boa Vista, na região do Monte Cristo. 

A reportagem da FolhaBV visitou a região da Casai e também não encontrou placas que indiquem a futura implantação.

Em 3 de fevereiro, o governo do estado anunciou que o abrigo seria instalado em até 30 dias. A iniciativa foi anunciada pelo governador, Antonio Denarium, em documento encaminhado ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Foi indicado que a gestão seria do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Yanomami. 

No anúncio do governo, foi informado que o espaço seria adaptado para acolher os indígenas em tratamento de saúde, com ambiente seguindo os costumes da etnia. O local foi projetado para ter 500 metros quadrados e bloco anexo, para funcionar como administração, enfermaria e coleta de exames.


Projeto do abrigo divulgado pelo governo do estado, mostra que no espaço seriam disponibilizadas redes conforme a cultura dos indígenas – Foto: Divulgação

Procurada, a Secretaria de Saúde disse que a implantação do abrigo estadual está em fase de ajustes finais, e que “tais acertos para o pleno funcionamento estão sendo feito juntamente com o Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami, que será responsável pela gestão da unidade”.

A reportagem entrou em contato com o atual coordenador do DSEI Yanomami, Leandro Lacerda, para saber sobre o andamento destes acertos. Após responder que iria se informar a respeito, disse que “não temos essa informação aqui pelo Dsei-Y”.

A FolhaBV procurou ainda a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), por meio do Ministério da Saúde e aguarda resposta.

Crise Yanomami

Desde janeiro deste ano, a atenção do Brasil e do mundo se voltou à crise humanitária e sanitária vivida pelos indígenas Yanomami. Imagens de crianças e adultos desnutridos, além de notícias sobre mortes de crianças, resultaram em uma força-tarefa instalada pelo governo federal para diminuir os efeitos do abandono na região.

Maior reserva indígena do país, a Terra Yanomami possui cerca de 10 milhões de hectares distribuídos entre os estados de Roraima e Amazonas. São ao menos 371 comunidades e cerca de 30 mil indígenas. A exploração ilegal de minérios na região é apontada como um dos principais fatores da crise sanitária e humanitária que assola o território.