
Na virada do ano, no jogo do seu time ou em dias de festa, o céu explode em cores e sons. Mas, para quem tem um pet em casa, o espetáculo pode se transformar em desespero. Tremores, tentativas de fuga, latidos incessantes e até vômitos são reações comuns de cães e gatos que têm medo de fogos. E o pior: nem sempre os tutores sabem como ajudar. A boa notícia é que existem formas eficazes e naturais de lidar com isso — e nenhuma delas exige o uso de medicamentos.
Como acalmar pets que têm medo de fogos
A sensibilidade dos pets aos barulhos de fogos está ligada à audição extremamente apurada desses animais. O que para nós é um estrondo incômodo, para eles é um verdadeiro ataque sonoro. Por isso, o medo de fogos deve ser tratado com a mesma seriedade que um trauma.
Antes de apelar para sedativos, é possível aplicar técnicas comportamentais e adaptações no ambiente que fazem toda a diferença. Criar um “bunker” com cobertores e brinquedos, por exemplo, oferece sensação de segurança. Treinos de dessensibilização sonora com gravações em volume baixo também ajudam a preparar o animal para o impacto real. O importante é começar essas práticas com antecedência e reforçar que ele está seguro com você.
Ambiente seguro é parte do tratamento
Seu pet precisa de um abrigo seguro — e esse abrigo precisa ser escolhido e preparado por você, não por ele em estado de pânico. Escolha um local silencioso da casa, com isolamento de janelas e pouca movimentação. Coloque ali a caminha, brinquedos favoritos e peças de roupa com seu cheiro. Deixe tudo pronto dias antes de datas festivas e acostume seu bichinho a passar momentos agradáveis nesse espaço.
Durante os fogos, mantenha as luzes acesas e, se possível, ligue uma música suave ou televisão para abafar o som externo. Essa “blindagem sonora” atenua os ruídos e reduz a ansiedade. Em vez de pegar o animal no colo, incentive que ele vá até esse cantinho, mantendo você por perto, mas sem reforçar o comportamento de medo.
Florais e estímulos positivos ajudam — e muito
Florais específicos para pets, como os de Bach, têm mostrado bons resultados em casos de ansiedade por fogos. Eles não têm contraindicação e podem ser aplicados com orientação de um veterinário especializado em terapias naturais. Também existem difusores com feromônio sintético que reproduzem sinais de conforto usados pelas mães no início da vida do animal, promovendo relaxamento.
Mais do que isso, é fundamental usar reforço positivo: recompensar o pet com petiscos, carinho ou brinquedos quando ele demonstra calma diante de sons altos, mesmo que leves. Isso vai moldando uma nova resposta emocional, baseada em confiança. A transformação não acontece da noite para o dia, mas é duradoura.
Treinamento emocional é prevenção eficaz
Uma das práticas mais poderosas é a chamada dessensibilização progressiva. Funciona assim: com o auxílio de áudios com sons de fogos, você expõe o pet de forma gradual, começando com volumes bem baixos e aumentando com o tempo, sempre recompensando reações calmas. Em semanas, o cérebro do animal começa a entender que o som não representa perigo real.
Esse tipo de treinamento exige paciência, mas evita que o pet precise ser medicado toda vez que houver fogos. Além disso, fortalece o vínculo entre tutor e animal. Com o tempo, ele passa a buscar em você a segurança de que precisa, em vez de entrar em pânico.
Mitos que colocam a vida do pet em risco
Um erro grave ainda muito comum é o uso de sedativos sem orientação veterinária. Além de arriscado, pode causar efeitos colaterais perigosos, como depressão respiratória e convulsões. Outro mito prejudicial é amarrar o pet ou confiná-lo em espaços apertados. Isso não reduz o medo — apenas aumenta a sensação de aprisionamento e o risco de acidentes.
A chamada “técnica da faixa” (ou Tellington Touch), que consiste em amarrar um pano em volta do corpo do animal em formato de “8”, é controversa. Embora algumas pessoas relatem bons resultados, ela não funciona para todos e pode causar mais desconforto se mal aplicada. O ideal é sempre buscar alternativas baseadas em ciência e conforto.
A importância de entender o comportamento do seu pet
Cada pet reage de forma diferente aos fogos. Alguns correm, outros tentam se esconder, alguns vocalizam e há os que simplesmente paralisam. Entender a forma como seu animal responde é o primeiro passo para ajudá-lo. Observe se ele busca proximidade, se tenta se esconder ou se demonstra sinais físicos como respiração acelerada, salivação ou tremores.
A partir dessa leitura comportamental, você saberá como adaptar melhor os métodos: se o canto seguro será mais fechado ou aberto, se o reforço será mais eficaz com brinquedos ou petiscos, se é o caso de investir em feromônios ou florais. Conhecer seu pet é a chave para protegê-lo.
Você pode ser o porto seguro do seu pet
Não é exagero dizer que, para seu cão ou gato, você é o mundo inteiro. Quando o céu se enche de barulho, ele procura você para saber se deve temer ou confiar. Sua postura calma, a preparação do ambiente e o carinho no momento certo fazem toda a diferença.
Ao adotar estratégias naturais e comportamentais para lidar com o medo de fogos, você não só protege seu pet de traumas como também fortalece a relação entre vocês. É um investimento em bem-estar mútuo — e, acima de tudo, um gesto de amor consciente.