Por que cortar as pontas do cabelo com muita frequência pode atrasar o crescimento
Por que cortar as pontas do cabelo com muita frequência pode atrasar o crescimento

Você provavelmente já ouviu a clássica recomendação: “tem que cortar as pontas do cabelo todo mês para ele crescer saudável”. Mas e se essa prática, feita com boa intenção, estiver na verdade atrasando o crescimento que você tanto espera? Pois é, a ideia de que o corte frequente acelera o crescimento capilar pode ser mais mito do que verdade — e entender o porquê disso pode mudar completamente sua relação com a tesoura.

Por que cortar as pontas do cabelo com muita frequência pode atrasar o crescimento

O crescimento do cabelo acontece na raiz, dentro do couro cabeludo, e não nas pontas. Cortar as pontas tem sim um papel importante na saúde geral dos fios — especialmente para evitar pontas duplas, quebra e aspecto ressecado. Mas se você corta com frequência demais, antes que o fio tenha tempo de crescer visivelmente, o comprimento final simplesmente não evolui.

Na prática, você sente que o cabelo está sempre “no mesmo lugar”. Ele até pode estar mais forte, mas o visual não acompanha esse progresso. Isso frustra, especialmente quem está tentando deixar os fios longos.

A diferença entre crescimento e retenção de comprimento

Essa é a chave que muita gente não conhece: crescer e reter comprimento são coisas diferentes. O cabelo de praticamente todo mundo cresce, em média, 1 a 1,5 cm por mês. A questão é: quanto desse crescimento você consegue manter nas pontas?

Se o fio quebra facilmente, forma pontas duplas ou passa por química frequente, você perde comprimento nas extremidades — e parece que o cabelo não sai do lugar. É por isso que o corte estratégico, feito com intervalo adequado, é importante. Mas cortar a cada 30 dias, como muitas pessoas fazem, é mais do que necessário — pode ser um obstáculo real para o comprimento que você busca.

O intervalo ideal entre os cortes para quem quer cabelo longo

Especialistas em cuidados capilares recomendam um intervalo de 10 a 14 semanas entre os cortes, especialmente para quem está em processo de crescimento. Isso dá ao fio tempo suficiente para alongar visivelmente, enquanto você cuida da saúde das pontas com hidratação, nutrição e proteção térmica adequada.

Para cabelos muito danificados, o intervalo pode ser menor no início do processo (em torno de 8 semanas), mas deve ser estendido conforme a saúde do fio melhora. Já para cabelos naturais ou bem tratados, é possível cortar apenas 3 vezes por ano.

Cortar as pontas de forma consciente — e não automática — é o segredo para alinhar saúde com o objetivo de deixar os fios longos.

Cortar pouco com frequência ou muito de vez em quando?

Aqui entra outro dilema: é melhor cortar 1 cm a cada mês ou 3 cm a cada 3 meses? Se o cabelo estiver saudável, o corte trimestral tende a ser mais vantajoso para quem deseja comprimento. Isso porque o crescimento acumulado aparece de forma mais clara, sem ser constantemente anulado pela tesoura.

Agora, se as pontas estão muito danificadas, quebradiças ou ralas, o corte frequente, ainda que sutil, pode ser necessário — mas como medida temporária, não como regra permanente.

O problema começa quando esse hábito se mantém mesmo depois que o cabelo já está saudável. Aí, o crescimento real começa a ser comprometido mais por excesso de zelo do que por necessidade real.

Como saber se está na hora de cortar as pontas?

Em vez de seguir um calendário fixo, o ideal é observar os sinais que o cabelo dá. Estes são indícios claros de que suas pontas precisam ser cortadas:

  • Pontas bifurcadas (duplas, triplas ou mais)
  • Textura áspera ao toque, mesmo após hidratação
  • Fios que embaraçam com facilidade nas extremidades
  • Aparência rala nas pontas, comparada ao topo da cabeça
  • Presença de pontos brancos nos fios (sinal de quebra iminente)

Se esses sinais não aparecem, não há motivo técnico para cortar imediatamente. Manter os fios hidratados, protegidos do calor e do atrito é muito mais eficiente do que “aparar por hábito”.

O que fazer entre os cortes para preservar o crescimento

Se o objetivo é deixar o cabelo crescer de forma visível, o cuidado entre os cortes faz toda a diferença. Use óleos vegetais ou silicones nas pontas para selar e proteger os fios. Evite usar chapinha ou babyliss sem protetor térmico. Na hora de dormir, troque a fronha de algodão por uma de cetim, que reduz o atrito e o ressecamento.

Essas práticas simples evitam que o fio quebre e prolongam a vida útil das pontas. Resultado: mesmo cortando menos, o cabelo se mantém bonito e o comprimento aumenta com mais consistência.

Cortar menos não é descuidar — é estratégia

É claro que o corte tem sua importância, inclusive estética. Aparar pontas muito danificadas dá leveza, forma e saúde ao cabelo. Mas cortar demais, com frequência excessiva, pode neutralizar o que você mais quer ver: o comprimento crescer.

No fim das contas, cortar menos é um gesto de inteligência — não de desleixo. É entender que o crescimento real precisa de tempo, cuidado e paciência. O fio precisa viver tempo suficiente para mostrar seu potencial. E isso não acontece se ele é interrompido toda vez que mal começa a descer os ombros.